Mãe fumadora compulsiva apanha um cancro da boca que a torna masoquista, falando cada vez mais e sádica, uma vez que tudo o que diz é para magoar alguém. Um dia o pai contrata uma empregada índia e no dia seguinte foge de casa, para se suicidar. Isso faz com que duas das três filhas regressem a casa, uma vez que uma delas nunca de lá saiu. a partir desse reencontro da família, sucedem-se os clichés, não por o filme estar mal feito mas porque efectivamente é aquilo que acontece em todas as famílias. As famílias são, por definição,um desfile de clichés e isso, sendo chato, é bom. Os clichés só existem porque certas situações se repetem à exaustão e isso só acontece junto de pessoas de quem se gosta. Quem de entre nós repetiria a vida à exaustão sem ser com as pessoas que nos estão no sangue? Eu não... Só dentro da família nos permitimos fazer parte de clichés. E então, à mesa de um jantar, descobrimos que uma das filhas é casada com um homem que não a trata bem e que assedia a filha de uma das outras filhas, sobrinha, por definição, que outra das filhas está já separada do marido que está sentado na mesma mesa e que por acaso a trocou por outra 20 anos mas nova, e que a terceira, a que nunca saiu de casa, namora e planeia fugir com o primo, ganzado conservador e inocente cujos pais pensam que é um bocado retrasado. Para piorar o que já não era fácil, vem-se a saber que o primo afinal é irmão e que a mãe dela (a fumadora) sempre de tal soube e que nunca tal revelou para permitir uma vida cheia de complexo de culpa ao pai, aquele que saiu de casa para se suicidar. Embora respeitando a intensidade dos sentimentos familiares, confesso que não me interessa muito a roupa suja das famílias dos outros. É certo que está magistralmente interpretada, mas eu, valorizando sempre o conteúdo sobre a apresentação não posso deixar de pensar que se trata na mesma de roupa suja, por muitos óscares que possa ter. Enfim, um desperdício de Júlia Roberts, não que eu seja grande fã, mas com aquela atitude e com o cabelo liso, está linda de morrer...
2.9.14
63 - august osage county
Mãe fumadora compulsiva apanha um cancro da boca que a torna masoquista, falando cada vez mais e sádica, uma vez que tudo o que diz é para magoar alguém. Um dia o pai contrata uma empregada índia e no dia seguinte foge de casa, para se suicidar. Isso faz com que duas das três filhas regressem a casa, uma vez que uma delas nunca de lá saiu. a partir desse reencontro da família, sucedem-se os clichés, não por o filme estar mal feito mas porque efectivamente é aquilo que acontece em todas as famílias. As famílias são, por definição,um desfile de clichés e isso, sendo chato, é bom. Os clichés só existem porque certas situações se repetem à exaustão e isso só acontece junto de pessoas de quem se gosta. Quem de entre nós repetiria a vida à exaustão sem ser com as pessoas que nos estão no sangue? Eu não... Só dentro da família nos permitimos fazer parte de clichés. E então, à mesa de um jantar, descobrimos que uma das filhas é casada com um homem que não a trata bem e que assedia a filha de uma das outras filhas, sobrinha, por definição, que outra das filhas está já separada do marido que está sentado na mesma mesa e que por acaso a trocou por outra 20 anos mas nova, e que a terceira, a que nunca saiu de casa, namora e planeia fugir com o primo, ganzado conservador e inocente cujos pais pensam que é um bocado retrasado. Para piorar o que já não era fácil, vem-se a saber que o primo afinal é irmão e que a mãe dela (a fumadora) sempre de tal soube e que nunca tal revelou para permitir uma vida cheia de complexo de culpa ao pai, aquele que saiu de casa para se suicidar. Embora respeitando a intensidade dos sentimentos familiares, confesso que não me interessa muito a roupa suja das famílias dos outros. É certo que está magistralmente interpretada, mas eu, valorizando sempre o conteúdo sobre a apresentação não posso deixar de pensar que se trata na mesma de roupa suja, por muitos óscares que possa ter. Enfim, um desperdício de Júlia Roberts, não que eu seja grande fã, mas com aquela atitude e com o cabelo liso, está linda de morrer...
62 - side effects

Rapariga deprimida vai ao psiquiatra, que lhe receita um antidepressivo inovador qualquer que a prosta completamente, ficando meia zombie de dia e completamente zombie durante a noite. Um dia, ou melhor, uma noite, tem um ataque de sonambulismo e mata o marido com várias facadas proferidas com os olhos bem abertos. O marido era um corrector da bolsa acabado de sair da prisão por inside trading, crime muito em voga nestes dias, sendo que se for cometido por pessoas com alusões religiosas no nome da família, em Portugal não dá direito a prisão. Morto o marido, sobra o psiquiatra, que rapidamente se vê envolvida numa trama que tem como objectivo tramá-lo completamente, sendo mais rápido o desmoronamento de tudo o que tinha conseguido do que a ascensão meteórica que tinha experimentado para o conseguir. Perde a mulher, o enteado, bastantes pacientes, os patrocínios dos delegados de propaganda médica e ainda leva com um qualquer inquérito da ordem dos psiquiatras em cima. Tudo porque toda a gente acha que foi o novo fármaco que ele deu à rapariga que a lixou completamente. Curiosamente, mesmo com todas essas suspeitas, ainda arranjou maneira de ser ele o psiquiatra responsável pela criminosa, agora devidamente internada numa prisão psiquiátrica qualquer. Antes de recorrer a este psiquiatra, a rapariga deprimida já o estava e já tinha recorrido a uma outra psiquiatra, com quem se tinha envolvido física e sentimentalmente durante a terapia efectuada. Resumindo: era tudo uma maquinação lésbica para ficar com o dinheiro de seguro do marido recém-libertado e recém-assassinado, sendo que as culpas deveriam ficar para o psiquiatra homem. Tal não aconteceu, uma vez que este, com uns simples truques primários, provou que o amor lésbico não é mais forte que o heterossexual, e com meia dúzia de intrigas arrumou-as completamente. Cumpriu-se mais uma vez a tradição, ficando provado que os filmes que metem psiquiatras são uma seca.
7.7.14
61 - a floresta dos espíritos
Jean Christophe Grangé.
Uma juíza sente na pele que a vida não tem a mesma opinião dos juízes que estes têm de si próprios. Jeanne tinha trinta e cinco anos e não tinha marido, filhos, pais vivos, namorados interessados, sobrinhos, família, animais de estimação, amor... Tinha sexo ocasional quando se libertava das suas paranóias interiores e aceitava que nem tudo na vida é como queremos. Mas não tinha amor, nem grandes amizades, nem grandes afectos, apesar de ser uma juíza, de ser uma eleita, melhor que os outros, paradigma da independência e da superioridade humana, primus inter pares, et pluribus unum, dura telex cet lex, et cetra, e algumas expressões gregas mais. Mas, e continuando em grego, hellas, o raio da vida (há quem lhe chame puta), não era sensível à especialidade de Jeanne e continuava a martelá-la com aqueles problemas que só deviam acontecer aos inferiores, e Jeanne via-se grega para gerir isso. A custo, saiu da depressão crónica que lhe tinha custado dois meses numa casa de repouso, e lá se ia aguentando mais ou menos; à custa de uns calmantes e uns gestos com o dedo médio da mão direita. Não era canhota... Jeanne tinha no entanto uma pulsão... complicada, derivada de um trauma... complicado, e que se traduzia na sua apetência para desvendar crimes... complicados... E porque as coisas não podiam correr sempre mal, e nem tudo na vida podem ser azares, eis que começam a aparecer crimes... complicados, em Paris. Vou abster-me de pormenores, que são tantos que chegaram a incomodar-me. Basta dizer que os crimes envolviam desmembramento e canibalismo. Jeanne, já naturalmente atenta a este tipo de crimes, mas ficou quando as escutas que ela tinha mandado colocar no consultório do psiquiatra do namorado (e que revelaram que este apenas a queria para aquilo que as mulheres não querem ser queridas, hellas, outra vez raisparta os homens, só pensam em sexo os cabrões) revelaram que este sabia algo sobre os ditos crimes. Mais concretamente, havia um espanhol velhinho que tinha um filho que tinha dentro dele uma espécie de alter ego demoníaco, tipo mr. hyde, que era provavelmente quem cometia os crimes. Jeanne, depois de o juiz amigo dela que tinha ficado com o caso ter morrido às mãos do assassino e depois do psiquiatra do namorado que só a queria para pinar ter desaparecido, resolveu também ela desaparecer e ala para a América do Sul. Chega à Nicarágua e, graças a isso, temos uma lição da revolução nicaraguense e da consequente repressão militar para evitar o comunismo. Ok. História é sempre bem vinda, embora confesso que a da Nicarágua eu já conhecia, li o sorriso do jaguar, do Salman Rushdie, quando era novo, desculpem lá. Depois vai para a Argentina e, graças a isso, temos uma lição da revolução Argentina, e da consequente repressão militar para evitar o comunismo. Ok. História é sempre bem vinda, embora confesso que a da Argentina eu já conhecia, li a operação massacre, de Rodolfo Wash, quando era novo, desculpem lá. E depois vai para a Guatemala, onde não temos grande lição de história, o que é pena, pois da Guatemala, além de ser um dos países onde os Maias andaram (o livro diz isso, mas eu já sabia), eu não sei patavina. A certa altura, no meio destas viagens, encontra-se com o psiquiatra, que passa a acompanhá-la na viagem e na investigação e juntos, fogem ao cliché e não pinam um com o outro. É aqui que paro com a história, pois nunca se sabe se a vou esquecer ou não e este texto é para quando eu for velho e me esquecer de tudo, vir aqui e ler que este livro é muito fixe e que vale a pena ser lido. Sendo mais claro, permitam-me: Pedro, se estiveres a ler isto quando fores velhinho e te tiveres esquecido de tudo, PODES ler isto livro à vontade, porque vale a pena. Apenas para concluir, vale mesmo a pena. Já há muito tempo que o suspense não durava até ao último capítulo...
6.7.14
60 - the sessions
Pensando bem, esta não é uma maneira convencional de começar um texto. Mas o facto é que acho que acabei de encontrar uma das principais coisas que me agradam num filme. é quando as coisas fazem sentido, quando são inteligíveis e quando todas as personagens se portam de uma maneira adequada, sem parvoíces. Quando cada coisa que dizem faz sentido e quando cada coisa que dizem é dita às outras personagens, criando assim diálogos inteligentes. A cho que já não gosto de monólogos e acho que os diálogos são a coluna vertebral dos filmes. Um filme não tem tempo para ficarmos a pensar em monólogos intermináveis, que quando acabam a audiências já mudou ou, no caso dos filmes maus, já desapareceu... nos filmes o que conta é aquilo que podemos apreender rapidamente, e isso são algumas imagens e muitos diálogos. Neste filme, que está longe de me entusiasmar, tudo faz sentido, toda a gente faz a coisa certa e isso é agradável. Existe um homem que sofre de poliomielite, estando acamado e tendo que viver grande parte do tempo dentro de um pulmão artificial (tipo iron lung, dos radiohead). Podia ser amargo, mas é poeta, jornalista e quer fazer sexo. Confessa-se ao novo padre da paróquia, que o ouve com atenção, abraça-o quando ele precisa e diz-lhe com uma pontinha de resignação invejosa que sim, que deve tentar resolver as suas pulsões da forma que todos os homens acham que as suas pulsões devem ser resolvidas. Mark tem como assistente uma actora índia a fazer de conta que é chinesa, sendo que o cruzamento dessas duas maneiras de ser fazem com que cada palavra que diz seja a certa e cada gesto que faz seja o certo. Mas não, não foi a ela que Mark recorreu. A quem Mark recorreu foi a uma terapeuta sexual (Helen Hunt, gloriosa na sua nudez) que, também ela, dizendo e fazendo apenas as coisas certas, consegue que Mark ultrapasse a sua virgindade e se sinta erradamente mais homem do que já era, Porque como dizia Rod, o outro assistente que lhe salvou a vida no dia em que luz faltou e o pulmão de ferro parou, a penetração é largamente sobrevalorizada, mas absolutamente essencial para o equilíbrio masculino. há muitas maneiras de se chegar ao mesmo efeito (isto ainda á Rod a falar), mas para o homem, se não enfiar, então nada está bem. No hospital, Mark conhece Susan, que nem precisa de abrir a boca para dizer a coisa certa. Casa e morre cinco anos depois, consubstanciando assim uma das suas ânsias durante a vida, quando tinha vislumbres de uma tristeza futura. Descansou em paz...
8.2.14
59 - the good man jesus and the scoundrel christ
Philip Pulmann foi responsável por um dos melhores livros que eu já li. Cruzava fantasia com aventura, todos à volta de uma carga filosófica muito intensa e, acima de tudo, coerente. Metia também ursos blindados, que sempre tinha sido mas eu nunca me tinha apercebido, o meu animal favorito. Todas as pessoas tinham um génio que tomava a forma de um animal, e penso que nunca nada me comoveu tanto como a descrição que ele fez da operação que tinha como objectivo separar uma criança do seu génio. O livro, ainda por cima, eram três e eram os três muito bons, cada um deles no seu registo, ambiente e personalidade própria. O livro chamava-se os reinos do norte e nunca até hoje percebi qual dos três gostei mais. Sempre achei estranho um escritor deste quilate não ter publicado mais nada, mas como nunca consegui deixar de sentir uma sensação de incredulidade relativamente aos reinos do norte, como se fosse demasiado bom para ser verdade a sua própria existência, confesso que senti medo de investigar o resto da sua obra e fui andando, acreditando que mais à frente nos cruzaríamos novamente. E assim aconteceu, embora tenha que confessar que fiz batota. Depois de meses e meses a ler policiais bons mas sempre no mesmo registo, depois de vários meses sem ler quase nada, procurei deliberadamente um escritor em que confiasse e encontrei um livro que, antes de se poder considerar bom ou mau, é decididamente um livro diferente. Então era assim. Há mais ou menos dois mil anos, uma mulher chamada Maria teve dois filhos gémeos. A um chamou Jesus e a outro chamou Cristo. Jesus era extrovertido, simpático, forte, afirmativo, sempre a procurar situações de desafio... Cristo era uma espécie de antónimo positivo do irmão; positivo porque era igualmente um rapaz bom. Antónimo porque era introvertido, reservado, meditativo, fraco fisicamente e muito avesso a confusões. Os dois viveram em conjunto durante os trinta anos de que a bíblia não fala, como se fossem uma única pessoa, mas a partir de certa altura os seus caminhos divergiram. Embora com o mesmo objectivo final, cada um deles via a vida e o mundo e todo o resto de uma forma diferente. Jesus começou a pregar a palavra de Deus e a realizar milagres Galiléia adentro. Cristo tornou-se o seu cronista e registava tudo aquilo que o irmão fazia e dizia, mas sem que este o soubesse. Jesus queria criar um novo mundo; Cristo também, mas de uma forma ligeiramente diferente. Cristo achava que toda a obra do irmão só faria sentido se desse origem a uma organização que fundamentasse a religião que Jesus estava a criar e que sem esta organização esta obra não perduraria e não teria qualquer impacto no mundo. Essa organização ajudaria a humanidade a suportar todos os mistérios, injustiças e compromissos que a vida inevitavelmente acarreta. Essa organização educaria as crianças numa perspectiva correcta, cuidaria dos doentes, alimentaria os necessitados, administraria a justiça e a benevolência, inspiraria a arte e a música, enfim, tornaria bom o mundo mau. Cristo estava assim apanhado entre dois fogos. Por um lado sabia que o irmão era puro e estava certo naquilo que desejava para a humanidade. Por outro lado sabia que seria necessário algum calculismo e mesmo algum trabalho sujo para que o Reino pudesse efectivamente chegar. Jesus, por sua vez, sendo um idealista puro, não lhe faltava a inteligência para ver o rumos que as coisas estavam a tomar. Sabia que a melhor maneira de o diabo entrar nos homens é pela porta que fica aberta quando estes acreditam que estão a trabalhar em nome de Deus. Em pouco tempo surgirão listas de castigos para todo o tipo de actividades inofensivas, surgirão pessoas a ser apedrejadas, açoitadas e chicoteadas pr causa do que comem, do que vestem, do que lêem e do que pinam. Em pouco tempo as pessoas que julgam que estão a fazer o trabalho de Deus constroem palácios e templos, fazendo com que tudo isso seja pago pelos pobres, em impostos em nome de Deus. E quanto mais poder estas pessoas angariarem, mais medo vão ter de o perder, e vão construir tribunais para queimar aqueles que acham que são pagãos e heréticos. E vão inventar guerras santas, e cruzadas, e a guerra perpetuar-se-á. Angustiado por tudo isto, Jesus questiona o pai, pedindo orientação e que Este lhe indique o caminho certo. tal, como todos sabemos, não acontece. A partir daí acontece a História. Os poderes religiosos instituídos acham que Jesus foi longe demais e resolvem condená-lo. Roma lava tranquilamente as mão, pensando que está a elimiar um terrorista e jesus acaba na cruz, depois de ter sido denunciado não pelo beijo de Judas, mas sim pelo beijo do irmão. De cristo. Que depois, arrependido, vai tirar Jesus da tumba e apresenta-se ele próprio aos apóstolos, criando assim o mito da resurreição. E fazendo com que os apóstolos espalhassem a palavra, o que deu no que deu...
4.2.14
58 - o clube dos anjos
10 amigos de infância fazem um jantar por mês, em que um deles é o anfitrião e o cozinheiro. Os amigos são todos bastante diferentes entre si, mas compartilham do gosto pela gastronomia refinada, celebrando esta assim em forma de metáfora das suas amizades e das suas vidas. Tipo, não somos, nem nós nem as nossas vidas, grande coisa, mas teremos sempre estes jantares, teremos sempre a nossa amizade e ternos-emos sempre uns aos outros.bum dia, um deles encontra um desconhecido que lhe faz uma omeleta perfeita e convida esse desconhecido para passar a ser o cozinheiro dos jantares do Clube do Picadinho. Era o nome do clube deles... Lucídio, que agora que sabemos o nome deixa de ser um desconhecido, cozinha divinalmente, tendo no entanto um pequeno problema a ele associado: mata sempre um dos convidados mo fim de cada jantar. Descobrimos depois que esta era apenas uma forma de se vingar de um dos dois homossexuais que integrava o grupo, Samuel. Samuel era, por sua vez, integrado por Ramos, o mentor espiritual e segundo homossexual. Lucídio nunca perdoou a Samuel ter sido comido por Ramos e assim, numa lógica perversa, resolveu vingar-se deste dando-lhe de comer. Comida... Como ovos sem os quais a omelete da vingança não pode ser confeccionada, jantar após jantar vai morrendo um comensal, geralmente o organizador do mesmo. Lucídio partiu do princípio que Samuel sofreria com a morte dos amigos. Não fiquei completamente convencido disto, e Samuel também não. A vida continua e a morte também. Como eles eram apenas 10 e Ramos já tinha morrido antes, os jantares duraram cerca de 8 meses, porque começou a faltar matéria prima viva e a sobrar matéria morta. O livro acaba com o único que sobrou a fazer uma agência de fornecimento de mortes paliativas. Chateiam-me os livros que conseguem quase até ao fim escapar à estupidez e que se esparramam nela nas últimas duas páginas. É uma pena. E, assim sendo, temo-la.
57 - ted
Um dia, um daqueles meninos com quem ninguém brinca recebeu um urso de pelucho no Natal, tendo imediatamente desejado que o urso ganhasse vida de maneira a poder vir a ser o seu melhor amigo para sempre. Tal aconteceu e o menino, em vez de esconder o urso no armário, tipo Elliot fez muito injustamente ao ET, resolveu assumi-lo, aterrorizando a família, ue viu em Ted uma reencarnação de Chucky. Depois dos seus 15 minutos de fama a nível nacional, rapidamente toda a sociedade americana se adaptou a Ted, sendo justo dizer que este também se adaptou à sociedade americana. E assim, os melhores amigos continuaram melhores amigos, a fazer aquilo que os melhores amigos fazem, tipo beber, fumar ganza e, digamos assim, interagir com mulheres. digo interagir porque não sei classificar. Relação entre um urso de peluche e várias prostitutas. Mas a vida de solteiro tem sempre um fim. E um dia, o rapaz apaixonou-se e começou a namorar a sério com ima namorada a sério. Ted, sendo urso, tinha pouco deste animal. De facto, poder-se-á dizer que Ted era muito humano. Que é a mesma coisa que dizer que era bués de ciumento. Ao ver o melhor amigo a consagrar o seu tempo a outro tipo de peluche ,retaliou ferozmente de muitas maneiras, sendo muito cansativo enumerá-las a todas. Bastará no entanto dizer que acabou com duas prostitutas a fazer cócó sólido no tapete da casa. Obviamente que a namorada o colocou instantaneamente em condição OEOE. Tipo, oeizou-o. Todos sabemos o que é oeizar. É uma das duas reacções instintivas que as mulheres tem quando as coisas não correm como querem. Ou oeizam (Ou Ele(a) OU Eu ou entram em regime de enxaqueca, que todos os homens sabem que é sinónimo de naoháqueca (NHQ). O que não faz sentido nenhum, porque diz quem sabe que o melhor remédio para a enxaqueca é um afluxo de sangue ao longo do corpo, mais conhecido como orgasmo. Que é também, obviamente,ma solução para a condição de NHQ . Voltando ao filme, o urso foi preterido pela namorada e perdeu-se depois numa vida boémia com montes de álcool, drogas e mulheres. E aqui não posso deixar de dizer que o filme falhou redondamente. Pardeu-se uma oportunidade de ouro de se ver no cinema um urso de peluche a pinar. O que ia ser óptimo para a humanidade. As mulheres iam ver quão fofinho o sexo é e passariam a querer fazê-lo mais. Os homens, fazendo-o mais, tornar-se-iam muito mais boas pessoas. Isso quer dizer que o sexo resolve tudo ? Não sei. Sei, no entanto, duas coisas: que o sexo com quem se gosta resolve mesmo muita coisa e que a negação de sexo não resolve coisa nenhuma. E que tem isso a ver com urso de peluche que ganha vida e passa-a a beber, comer, arrotar, fumar charros e etc? Não tem muito, mas também não há nada que tenha...
5.1.14
2013
livros (1 por mês)
o clube de paris - steve berry
a mão do diabo - josé rodrigues dos santos
o mercador de livros malditos - marcelo simoni
o gabinete das curiosidades - douglas preston e lincoln child
o prisioneiro do céu - carlos ruiz zafon
still life with crows - douglas preston e lincoln child
prodigal son - dean kontz
o cemitério de praga - umberto eco
as esganadas - jo soares
ender in exile - orson scott card
inferno - dan brown
brimstone - douglas preston e lincoln child
a livraria do sr. penumbra - robin sloan
feios - scott westerfeld
barroco tropical - josé eduardo agualusa
a casa atreides - brian herbert e kevin anderson
world war z - max brooks
madrugada suja - miguel sousa tavares
superman: red son
planetary - warren ellis
injustice_gods among us
dance of death - douglas preston e lincoln child
the good man jesus and the scoundrel christ - philip pulmann
filmes (1 por semana)
brave
skyfall
to rome with love
170 hz
the hobbit
ted
seven psychopaths
goon
the ides of march
wreck it ralph
ele não está assim tão interessado
the perks of being a wallflower
crazy stupid love trailer
hansel and grettel witch hunters
moneyball
the boondocks saints
ruby sparks
robot and frank
cloud atlas
django unchained
mr. nobody
my awkward sexual adventure
rushmore
wristcutters
the station agent
good will hunting
entre les murs
oblivion
cosmopolis
a idade do gelo 3
world war z
homem de ferro 3
before sunrise
the east
now you see me, now you don't
man of steel
star trek - in to the darkness
malena
pacific rim
warm bodies
o bom pastor
ink
oz
zero dark thirty
detachment
a gaiola dourada
blue jasmine
wolverine
o grande gatsby
elysium
séries (uma por dia)
grimm - t1
fringe - t4
alphas - t2
true blood - t4
spartacus - t4
perception - t1
era uma vez - t2
game of thrones - t3
da vinci's demons - t1
falling skies - t2
grimm - t2
hannibal - t1
sherlock - t2
falling skies - t3
haven - t3
elementary - t1
música
uma hora de música 1
uma hora de música 2
uma hora de música 3
uma hora de música 4
uma hora de música 5
uma hora de música 6
uma hora de música 7
uma hora de musica 8
uma hora de música 9
uma hora de música 10
uma hora de música 11
uma hora de música 12
uma hora de música 13
uma hora de música 14
uma hora de música 15
uma hora de música 16
uma hora de música 17
uma hora de música 18
uma hora de música 19
uma hora de música 20
uma hora de música # 21
uma hora de música # 22
uma hora de música # 23
uma hora de música # 24
fotos
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
avecar
Novinco
nãoseionome
tambémnão
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14.12.13
56 - oblivion
Jack e a namorada são os dos últimos únicos humanos no planeta. A terra foi invadida e, embora a humanidade tivesse ganho a guerra, foram obrigados a usar bombas atómicas e deram cabo do planeta, tendo assim que emigrar para Titã, lua de Saturno (ou de Júpiter?). Jack e a namorada moram numa casa branquinha e tom tem uma nave branquinha e uma mota branquinha. Sendo ele branquinho também, de repente pareceu-me que estava a ver o Wall-E. Continuei a ver o filme, mas já não me consegui abstrair desta ideia e, inconscientemente, comecei a fazer comparações. Jack tem, efectivamente, muito mais vocabulário que Wall-e, mas apenas cerca de um décimo do carisma. Wall-E tinha como missão limpar o lixo que a humanidade tinha deixado ficar na Terra para, um dia no futuro, a terra estar novamente habitável. Jack andava a reparar os robots que, por sua vez, tomavam conta das torres que extraiam água do mar dos nossos oceanos e a mandavam para Titã, para essa água fornecer energia à humanidade lá exilada. wall-E era, assim, um reciclador enquanto Jack era um, sei lá, saqueador. Tom usa e abusa dos seus gadgets futuristas, tipo a nave, a mota, a arma, os óculos escuros enquanto que Wall-E alimenta a alma com as relíquas do passado que recolhe no meio do lixo. Confesso que aqui estou a ser injusto, porque também Jack é saudosista e tem uma cabana junto a um lago com um cesto de basquete e discos maus. Tom diverte-se (como qualquer homem se divertiria, aliás) com um dia-a-dia de condução / utilização de máquinas potentes, tiros no inimigo e sexo na namorada. Wall-E, enquanto isto, continua a arrumar... Dizia então eu que a humanidade estava toda em Titã e que os seus governantes estavam numa estação espacial chamada Tet, de onde davam ordens a Jack para manter a maquinaria a funcionar. Um dia, uma nave despenha-se e Jack descobre nos seus destroços cinco cápsulas com sobreviventes humanos no seu interior, sendo no entanto reduzidas a apenas um sobrevivente porque os drones arrumam logo com os outros quatro. o sobrevivente era uma. E, sendo bem bonita, Jack, animado pela fantasia latente em todos os membros do sexo masculino, leva-a para a sua casa branquinha e apresenta-a à sua namorada branquinha. Esta, por sus vez, age como as mulheres sempre agiram quando confrontadas com esta perspectiva e passa automaticamente a odiar a nova companhia. Jack, entretanto, já não me lembro se antes se depois, é capturado pelos últimos extra-terrestres que sobraram da invasão, e imediatamente estes lhe revelam que não são puto extra-terrestres, mas sim os verdadeiros e últimos humanos que existem. E os que estão em Titã ? Não existem humanos em Titã, Zé, quero dizer, Jack. É tudo tanga dos verdadeiros extra-terrestres, que estão em Tet e que só querem a nossa água salgada, por causa do hidrogénio para dele obterem energia ? Mas... mas.. então e eu e a... a...como é que ela se chama... a minha namorada... quem somos nós ? São clones, Zé, quero dizer Jack, do verdadeiro Jack e da verdadeira... ah... como é que ela se chama... da tua namorada. Clones ? Sim, parece que há sessenta anos, tu e ela foram enviados numa missão para explorar uma espécie de ovni, e entraram nesse ovni (tipo o Dave no 2001, que entrou no monólito) e foram automaticamente clonados. Mas para quê que me clonaram ? Para vos pôr a tratar das torres de extracção de água . Nos pôr ? Sim, porque eles criaram milhares de clones vossos, porque o mar é muito grande e há muitas torres de extracção. Volta à terceira pessoa para dizer que jack ficou assombradíssimo com estas notícias todas e, como consequência, escolheu a morena em detrimento da... da... namorada. E escolheu, pouco logicamente, acreditar em tipos mutip estranhos que tinha acabado de conhecer em detrimento de acreditar em todas as referências de toda a sua vida. Virou assim rapidamente a casaca e passou para o lado dos humanos e, com algum engenho, explodiu com o Tet, livrando assim a terra dos seus colonizadores extra-terrestres, podendo assim os não extra-terrestres, ficar com a sua água salgada e com o seu hidrogénio. não sei bem vindo de onde, aparece uma filha de Jack e da rapariga que veio na cápsula, prontamente adoptada por Jack 52... Chatice... esqueci-me de dizer que o Jack de que estive a falar era o Jack 49, e que o Jack 52, que com ele compartilhava as memórias foi quem encontrou a rapariga e a filha para perfilhar. E o Jack 48 ? e o 47 ? e o 46 ? o que lhes aconteceu. Não sei, e o filme também não. E a namorada do 48 ? e a do 47 ? e a do 46 ? O que lhes aconteceu. Também não sei, e o filme também também não (nota rápida - a repetição do também foi intencional). mas então é uma confusão. podes crer que sim. Mas então o filme deixa de ser bom ? Não, é até mesmo muito fixe. Mas o Wall-e era muito , muito melhor...
12.12.13
55 - ironman
Pá... Que seca. E então a idéia peregrina de se conseguir fazer uma armadura ainda mais forte a partir de destroços. E porque raio tem os americanos aquela necessidade doentia de bipolarização. Se já tinham os maus da fita, porque é que tinham que diabolizar o exército, ou as corporações, ou lá quem era, metendo-o na armadura de sucata de maneira a poder ser vencida pelo cavaleiro da armadura cintilante ? E será que o facto de o "bom" ter vencido apenas por um pormenor (umatechnicality, como diriam os americanos) foi ao menos uma metáfora para nos fazer ver quão ténue é o nosso domínio sobre tudo isto e quão próximos podemos estar do abismo? Espero que sim.
54 - charlie wilson´s war
Um desbarato de grandes talentos dos quais nunca gostei muito de nenhum. Ou a eterna obsessão dos americanos por contarem todos os pormenores aborrecidos da sua história… Peço desculpa aos mujhaedin por não me ter entusiasmado nadinha com o filme da sua história, mas lembro-lhes que não devem ficar desapontados com os bocejos que este filme provoca nas pessoas normais. Não devem esquecer que as pessoas que valem a pena já os conheciam antes deste filme. E mesmo entre os americanos, há muita gente que também já os conhecia há bastante tempo. Desde o Rambo 3…
53 - finding neverland
Há filmes que valem a pena que se espere por eles. Seja porque não estamos preparados, seja porque não os queremos desperdiçar ou porque os queremos guardar para um momento melhor… Seja porque o queremos compartilhar com alguém ou porque não o queremos compartilhar com ninguém… Seja pelo que seja, geralmente vale a pena esperar, porque esses filmes carregam em si uma magia, um sentimento tal que, saindo nós a rir ou a chorar, calados ou a cantar, sozinhos ou acompanhados, sabemos sempre que acabamos de assistir a uma experiência de arrebatar o fôlego. E vai daí eu pergunto: Porque raio é que esses filmes são todos com o Johnny Depp ? Dúvidas? Três exemplos em três segundos: Charlie e a fábrica de chocolate, Eduardo Mãos de Tesoura e este… Finding Neverland. Ou então não… não a encontres…. Guarda-a para sempre…
52 - vicky cristina barcelona
A primeira sensação que me fica é que o Woody Allen preocupa-se mais com o chique que é duas americanas cultas e bonitas estarem a jantar e a beber vinho num restaurante queque de Barcelona, do que a arranjar-lhes algo de interessante para dizer. Para mim, isto é pretensiosimo e eu não gosto de pretensiosismo. Condiciona-me a crítica. Faz com que olha para o filme e veja apenas um conjunto de clichés, a turista conservadora com o noivo americano pateta, a colegial deslumbrada que só pensa em ser diferente, o macho latino-torturado-misterioso que só sabe falar mau inglês, a fêmea latina sempre prestes a saltar para a faca e alguidar e para os pulsos semi-cortados e o vinho, que pelos vistos é a única coisa que lhes interessa realmente...Apesar das condições perfeitas de visionamento, o filme não é bom.
51 - the kids are all right
Duas lésbicas mostram quão normais as pessoas normais são e resolvem constituir família, não avisando disso o homem a quem retiraram (de forma tradicional) o esperma.Vinte anos depois, talvez dezoito, os filhos das mães vêm a descobrir que o pai é um gajo fixe, calmo, que anda de mota e que pratica agricultura biológica, sendo o principal fornecedor do seu próprio restaurante.Biológico, claro. Tantas qualidades não poderiam deixar de ser reconhecidas, quer pela empregada do restaurante, uma negra com um penteado afro que com ele tem uma cena de sexo... inspiradora, quer por uma das mães, mais propriamente, a Juliane Moore. Com quem ele tem também uma cena de sexo... realista, com corpos não maquilhados, mamas um bocadinho lapisáveis, alguma falta de jeito e de uma duração que não traumatiza instantaneamente os espectadores. Quando a filha mais velha vai para a faculdade, as duas mães choram e, surpresa: o pai também, Um bom exemplo de família disfuncional.
50 - black swan
És pequenina, bonita, tímida e perturbada. Danças ballet, tens os pés todos lixados mas aguentas o sofrimento porque gostas mesmo de dançar. Sentes que tens qualquer coisa de especial mas não consegues convencer o mundo disso. à tua volta todas parecem melhor que tu porque o mundo considera que a tua obsessão pela perfeição, quer tu julgas ser a tua maior qualidade, não passe de falta de autenticidade. Não vêem quão humana tens que ser para submeteres a tua humanidade à tua individualidade. E os clichés desfilam à tua frente, se, se cansarem um bocadinho, sequer. E, quando já estavas à espera de ser outra vez preterida, ganhas protagonismo e pensas que isso vai resolver todos os teus problemas interiores, e verificas que não aguentas a pressão e que se calhar não és tão única como pensas. Mas como és teimosa, continuas a foder os pés, esticando-te ao limite no verdadeiro sentido da palavra, até à perfeição. E quando estás quase quase a alcançá-la, olhas para o lado e vês alguém melhor do que tu, mais bonita, mais ousada, mais humana e com umas asas pretas monumentais e lindíssimas tatuadas nas costas. E, ainda por cima, gostas da cabra, que se aproveita disso, primeiro para te comer e depois para roubar o sonho da tua vida, substituindo-te naquela que deveria ser a tua apoteose. Isso não podes permitir e, chamando o mais fundo da tua obsessão mudas de variável, como os matemáticos fazem quando já não sabem mais o que fazer. És má e matas a cabra. És boa e matas o resto do mundo. Do coração, por verem a tua actuação. E depois... morres!
49 - 500 days of summer
Os sinais exteriores eram bons, mas o facto é que se trata apenas de mais um filme de adolescentes, sendo que é relativamente bem filmado e a rapariga não é assim tão adolescente como isso. Ele, arquitecto ainda não tentado, trabalha como escrevedor de postais numa qualquer empresa do ramos. Faça-se justiça a algum do seu talento, bem espelhado na frase: eu amo-nos, que eu subscrevo e que acho que faz sentido escrito num postal. Para além disso, resta a cronologia do filme, que alterna aleatoriamente entre o dia 1 e o dia 500, sempre a fazer sentido. Resta ainda uma boa interpretação de píxies no karaoke, e o mais velho cliché do mundo, que é a rapariga, com um ar entre o Cândido e o insosso, já ter pinado com 30 ou 40 homens, enquanto que o rapaz, saudavelmente tarado, estar praticamente a sair da virgindade. E, estúpido como é, deixa que o sexo que ela tem antes de o conhecer lhe interfira com o estômago e o cérebro. Fazia mais sentido, digo eu, sei lá porquê, preocupar-se com o sexo que ela vai ter, inevitavelmente, depois de o deixar. Enfim... Clichés. Não gostei.
48 - sunshine cleaning
Uma mulher que trabalhava em limpezas começa, por sugestão do polícia casado que a anda a comer duas vezes por semana num hotel médio e que tinha sido seu namorado no liceu, a fazer a limpeza de cenas de crimes e de suicídios. Ajudada (e às vezes não ) pela irmã disfuncional que lhe dá guloseimas ao filho nas suas costas até ao dia em que esta incendeia a casa de um cliente morto, o negócio vai prosperando. Existe ainda um filho algo traumatizado, um pai (dela, avô do filho) verdadeiramente esquisito e um empregado de uma loja de produtos químicos só com um braço. Acaba por se tornar um negócio de família, que esteve quase à beira de um ataque de nervos. Gostei.
47 - prometheus
Um homem muito grande e muito branco bebe umas cenas e dissolve-se para dentro de uma queda de água, derretendo assim nesta o seu adn. Isto ter-se-á passado na Terá, embora o homem muito grande e muito branco, como o próprio nome indica, seja claramente extra-terrestre. Assim começou a vida na Terra e, 2080 anos depois, um casal de cientistas descobre de que planeta o homem MGMB (muito grande e muito branco) veio. Vão todos para lá, o casal de cientistas, os figurantes do costume (destaco o Luther e a Charlize Teron, o génio maluco e o andróide), numa grandessíssima nave e descobrem que o planeta mais não é que uma espécie de fábrica de armas biológicas dos tipos MGMBs. Tendo criado a humanidade por dissolvência, não mos podemos deixar de surpreender pelo facto de eles quererem encher a Terra de armas de destruição política ? Será uma piada política do Ridley Scott? As armas são uma espécie de latas com umas cenas muito maradas dentro. Tipo casulos…Previsivelmente, morrem todos a impedir que os homens MGMB consigam trazer para a Terra as canas maradas. Menos os sobreviventes do costume, a rapariga em cuecas e o andróide decapitado (caramba, já vi isto em qualquer lado), que se metem numa das muitas naves que pelos vistos havia no planeta e decidem, ir ao planeta de origem dos homens MGMB para lhes perguntar de viva voz por que caraças é que me queres destruir ? Portei-me mal, foi ? O filme acaba com uma das latas a abrir e a sair de lá de dentro… Não. Não foi assim. A cena não saiu da lata mas sim da barriga do homem MGMB, que antes tinha sido comido por uma criatura que foi criada por uma das que saíram de uma das latas.Confuso ? Sim, de facto. Mas o que interessa foi o que, chamemos-lhe assim, eruptiu da barriga do homem MGMB. E o que foi ? Vá… nesta altura já toda a gente sabe.
46 - estômago
Foi fixe enquanto vi, se calhar por causa da dose quadrupla de auto comiseração. Hoje, pensando com mais frieza, não consigo encontrar nada de especial para escrever aqui. E a historia de um caipira com jeito para a cozinha, cujos méritos provocam uma ascensão que nos é habilmente e simultaneamente mostrada, quer na lanchonete, quer na prisão. Passa da lanchonete para o restaurante italiano ao mesmo tempo que passa do chão sem colchão para o primeiro dos beliches da cela. Conhece uma prostituta que pina enquanto esta come a sua comida e começa a cozinhar para os companheiros de cela. A ascensão na prisão era fácil de prever e de seguir, restando apenas alguma curiosidade em saber porque é que lá foi parar. No fim percebe-se. Apanhou a prostituta a pinar com o dono do restaurante italiano e matou-os aos dois, na cama, com uma faca. E foi com essa mesma faca que cortou, como e que hei-de dizer isto? cortou um hambúrguer do rabo da prostituta. Cozinhou-o e comeu-o. Vamos abster-nos de trocadilhos óbvios e concentrarmo-nos na prisão, o entretanto o argumento destrambelhou e ele matou o ladrão mor apenas para ficar a dormir no beliche de cima. Envenenou-lhe a feijoada, coisa que eu considero um pleonasmo. Enfim... O filme é competente e a parte que eu gostei mais foi a resposta ao monólogo do queijo gorgonzola. Tipo, podes dizer o que quiseres, mas o queijo aqui dentro não fica. E não ficou…
45 - os 3 mosqueteiros
Outra vez? Outra vez! E diga-se desde já que deve ser a melhor versão que já vi, contando já com o Dartacão. Extremamente bem filmado, tipo 300, boa fotografia, boas sequências de acção. Superpreponderância para Buckingham que deixa de ser o amante pastelão da Rainha Ana e passa a ser o verdadeiro desequilibrador daquele tabuleiro de xadrez, enfrentando com sucesso e montes de estilo Richelieu, o corvo vermelho. Depois de inevitavelmente derrotado pelo argumento do filme, escrito por Alexandre Dumas (o mundo nem sempre é justo, para não dizer que quase nunca é), Buckingham passa-se e decide invadir a França, utilizando para isso duas esquadras completamente portuguesas: uma esquadra de caravelas e uma esquadra de passarolas. Sim. As do Bartolomeu de Gusmão. Confesso que sempre me fez alguma espécie nunca ninguém ter massificado a produção de passarolas, que além de armas de guerra terríveis, eram lindas de morrer. Muito fixe, este filme…
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