E eis que uma normalidade cheia de sentido irrompe de um filme iraniano, quando um homem reconhece o seu carrasco torturador pelo barulho que a sua prótese faz ao caminhar e o conduz, amarrado e vendado, numa carrinha até ao meio do deserto para o matar e enterrar. Junta na viagem mais ex-vítimas, sendo que uma delas é uma noiva que foi convocada a meio de sessão de fotografias, o que implicou que o noivo também fosse. Todos (uns mais que outros) acabam por ter dúvidas se aquele homem normal que vai ter uma filha a qualquer momente, é de facto o carrasco e, porque no fundo somos todos iguais, acabam por perdoar o carrasco, cabendo ao homem que despoletou tudo a decisão final de o perdoar e libertar. Arrependeu-se... recuperando um comentário anterior, não há filme iraniano que não acabe em tragédia...
23.7.26
105 -a light that never goes out
Flautista finlandês tenta sair da depressão participando numa coletivo paramilitar de sonoplastia. Sonoramente, o filme é terrível. Há, no entanto, qualquer coisa nas atuações que nos faz acreditar que o filme vai ter algum sentido, algum significado, alguma mensagem para além do facto de nos países do norte da Europa os jovens poderem fazer literalmente tudo aquilo que lhes apetece, perante uma apatia descrente da sociedade em redor. A verdade é que o filme acaba como se alguém tivesse desligado a ficha de repente e, talvez por isso, o sentido nunca chegou a aparecer.
8.12.25
104 - darrow
7.12.25
6.12.25
101 - mickey 17
100 - a substância
Filme complicado de tão mau. A Demi Moore literalmente passa o filme tudo a vomitar-se a si própria. Ou talvez a regurgitar-se a si própria. Não vou dizer mais nada...
1.12.25
98 - baan
97 - O meu bolo favorito
Casal de septuagenários iranianos passam a noite juntos no jardim da casa dela, conversando, dançando, comendo bolo, fazendo sexo e, no caso dele, morrendo no fim. Há sempre qualquer coisa trágica num filme iraniano. Não conseguem fazer uma filme sem que a desgraça acabe sempre por entrar. É verdade que o fazem com elegância e bastante humanidade, mas parecem não perceber que a humanidade já está farta. De desgraças. O que poderia ser um hino à vida acaba numa confirmação de morte. Á qual, naturalmente, o bolo foi alheio.
96-Anora
Rapariga situada algo no limite entre stripper e trabalhadora sexual encontra filho de oligarca russo situado algures entre a inconsciência social típica dos seus genes e o atraso mental declarado. E pinam bastante, e, inacreditavelmente, ganham o óscar de melhor filme. Não me custou muito a ver, mas sinceramente não sei o que diga.
21.2.25
95 - Os dias contados - João Tordo
12.2.24
94 - Lições
Não é muito fácil. Porque já
estou destreinado e porque, se calhar, ando a ler livros a que se pode chamar
sem história bem definida. É como se um grupo de escritores todos com algumas
características comuns decidissem fazer um clube em que apenas se podem escrever
livros sem história. Ou em que a história apareça em segundo plano, atrás da
análise retrospetiva da vida e de, principalmente, da análise das angústias
instantâneas dos escritores.
Assim se repente lembro-me do Ian
McEwan, do Michel Houelebeq e do David Lodge. Embalados por uma carreira de
livros bem aceites, chegaram a um momento em que o que lhes interessa é descreverem-se
com maior ou menor grau de exposição, sendo as personagens em que eles encarnam
os fios condutores das respetivas vidas.
E se calhar o maior exemplo
destes três é mesmo o Ian McEwan e o maior exemplo destes é o livro Lições. É a
história da vida de uma pessoa que podia ser contada em 20 linhas e é contada
em 600 páginas, sendo que as diferenças entre as duas versões são apenas
estados de espírito do autor.
Numa aproximação pragmática,
diria que:
- · Roland era filho de um militar e passou parte da sua juventude na Líbia;
- · Quando regressou a Inglaterra foi para um colégio interno;
- · Onde teve lições de piano com uma professora que um dia o tocou intimamente;
- · Um dia, foi a casa da professora, que o seduziu sexualmente e continuou a fazê-lo durante bastante tempo. Roland ainda era menor mas, naturalmente, adorou o abuso. Quando percebeu que a professora queria casar com ele, fugiu algo contrariado.
- · Não foi para a faculdade. Colecionou experiências de vida. Numa delas criou uma relação com a Alemanha de Leste, a qual acabou com a vivência em direto da queda do muro.
- · Para ganhar dinheiro, dava aulas de ténis e escrevia frases sentimentalmente significativas para uma empresa de cartões.
- · Casou com Alissa, uma alemã de quem teve um filho chamado Lawrence.
- · A alemã abandonou-o (e ao filho) para se tornar uma escritora. O que fez com que se tornasse, na minha opinião, num ótimo pai.
- · Casou com Daphne que morreu de cancro. Expandiu a família juntado a Lawrence as duas filhas da mulher.
- · Os filhos multiplicaram-se e criou-se à sua volta uma família muito moderna.
- · Reencontrou Miriam (a professora de piano) e não lhe perdoou o abuso.
- · Reencontrou Alissa, entretanto transformada na maior escritora da Alemanha. E perdoou-lhe o abandono.
- · E foi isto.
É verdade que ao longo destas
etapas corre um rio de boa prosa que se transforma num lago de sentimentos.
Todas estas pessoas sentem e Roland consegue perceber isso, sendo, no entanto,
que a sua interiorização de todos estes sentimentos não deixa de ma parecer uma
maratona de algum egoísmo. Tipo parece que estas pessoas apenas existiram
(fosse na vida real do livro ou na cabeça do argumento do escritor) para justificar
as angústias interiores de Roland. O que me parece manifestamente pouco, porque
não deixa de ser apenas um indivíduo, e não muito interessante.
Por outro lado, se eu fosse um
escritor que quisesse escrever sobre a família e sobre as relações
interpessoais, tentaria fazê-lo menos em volta de um único umbigo e mais
aproveitando as individualidades de todas as outras pessoas à volta.
Não é um monólogo porque não é narrado
na primeira pessoa, mas é uma história na terceira pessoa em que tudo se passa
à volta da primeira. E isso não é muito honesto, porque se calhar, enquanto leitor,
preferia ver a história sob o ponto de vista dos outros personagens, quase
todos potencialmente mais interessantes que Roland. E o escritor não deixa que
isso aconteça e prende-me 600 páginas sempre ao mesmo tipo, inteligente, mas
aborrecido.
E eu chego ao fim do livro e não
sei que diga. Gostei porque a escrita é competente. Mas sempre que o abria
apetecia-me ver uma séria qualquer. Apenas a consciência que apenas a leitura é
cultura me fez seguir em frente. Não pretendo reler…Aliás, nem pretendia
escrever sobre o livro. Apenas o faço a ver se acordo o cérebro, pouco a pouco,
e volta à dinâmica do passado, agora que tempo é maior mas a vontade é menor…
4.4.20
21.3.20
12.5.18
11.3.18
25.5.17
93 - As primeiras quinze vidas de Harry August
- 1810 - OB2 tem 10 anos e recebeu informação de OB1, sabendo tudo até 2000.
- conta tudo a OB3 Q, que nasceu em 1720 e que em 1810 tem 90 anos;
- OB3 morre logo a seguir, e renasce novamente em 1721, sabendo tudo desde 1720 até 2000, uma vez que incorporou os conhecimentos de OB2 e OB1.
Ao fim de algumas gerações, toda a gente do Clube cronos passou a saber tudo o que se ia passar, sendo essa vantagem capitalizada para (por exemplo via apostagem) enriquecerem todos. E depois, com o poder do dinheiro e do conhecimento, havia os que apenas viviam em regime de carpe ciem, e havia os outros que tentavam mudar o mundo. Disseminando o conhecimento futuro de uma forma mais ou menos discreta no presente, e isto em várias iterações (leia-se vidas), conseguiam que a evolução da sociedade fosse sendo mais rápida de iteração (leia-se vida) para iteração (leia-se vida outra vez). confuso? Nem por isso. Vamos lá a ver, centrando-nos, por exemplo, no Newton.
Um belo dia, lá para 1700, momentos antes de lhe car a maçã, alguém lhe atira, sei lá, com um melão, de maneira a acertar-lhe na cabeça. Em vez de constatar a existência da gravidade, ia logo despachar, para além disso, as outras leis todas. O princípio da inércia porque se o melão estava parado e de repente lhe caiu na cabeça, isso deveu-se com certeza a alguma força que nele foi aplicada. A segunda lei porque sentiu também na cabeça, a massa do melão e o que lhe doeu deveu-se certamente à velocidade com que se aproximava cada vez mais da sua cabeça, naqueles segundos em que durou a trajetória e em que ele nada pode fazer para o evitar. Por fim a lei d acção reacção porque depois de levar com o melão no melão, despediu o jardineiro por laxismo. Ao descobri as 3 leis de seguida, pode poupar muito tempo e chegar às outras descobertas mais cedo. E assim sendo, todos o seus discípulos fizeram as suas descobertas derivadas das dele mais cedo, etc, etc. Quando chegaram ao Einstein, nessa vida, já nada era relativo, uma vez que já estava tudo percebido, Vai daí ele seguiu logo para o campo unificado e foi sempre a abrir.
A verdade é que estas antecipações do conhecimento causavam inevitavelmente que a Terra acabasse cada vez mais cedo, por isso o clube cronos tentava contrariar aqueles que tentavam acelerar a evolução, e no fundo é esse o enredo do livro. E quando os apanhava, fazia-lhes do pioria para evitar as acções deles, desde tentar matá-los à nascença, impedi-los d enastre, etc. Aqui, confesso, a cena começa a ficar algo sinistra e desconfortável de pensar sobre. Por isso, vou parar aqui. E agora.
23.12.16
2016
aquário
filosofia da guerra dos tronos
filho dourado - pierce brown
o coleccionador de erva - francisco josé viegas
o bom inverno - joão tordo
mel - ian mcewan
a mesa limão - julian barnes
os olhos de edgar allan poe - louis bayard
o mistério da atlântida - david gibbins
o predador - tess gerritsen
eu, alex cross - james patterson
gravidade - tess gerritsen
a cadeira vazia - jeffery deaver
a ameaça - ken follet
acacia 1 - david anthony durham
estrela da manhã - pierce brown
o orfanato da srta. pellegrine para crianças peculiares - ransom riggs
acacia 2 - david anthony durnham
acacia 3 - david anthony durnham
o peão - steven james
a torre - steven james
filmes (1 por semana)
fantastic four
chappie
halo 4
007 - spectre
sicário
the martian
the lobster
sherlock holmes - the abominable bride
ex machina
parallels
deadpool
assalto a londres
the family
the inside job
dredd
arbitrage
passion
batman vs. superman - dawn of justice
x-men - apocalypse
two nice guys
warcraft
the legend of tarzan
o livro da selva
star trek - beyond
stoker
tomorrowland
arq
shame
easy a
primer
suicide squad
spectral
séries (1 episódio por dia)
minority report 1
killjoys 1
sleepy hollow 2
quantico 1
homeland 5
da vinci's demons 3
the following 3
the 100 2
shannara chronicles 1
the 100 code 1
how to get away with murder 2
sleepy hollow 3
x-files 10
22.11.1963 1
orphan black 1
game of thrones 6
colony 1
the newsroom 1
gotham 3
lucifer 1
wayward pines 2
dark matter 2
the newsroom 2
orange is the new black 1
silicon valley 1
the newsroom 3
silicon valley 2
demolidor 1
música
kurt vile - b'lieve im going down
the decemberists - picaresque
hooverphonic - blue wonder power milk
warpaint - the fool
10.1.16
92 - chappie
É uma mistura entre o robocop e o distrito 12. Em vez de Detroit passa-se em Joanesburgo e este robot é bastante mais fixe e humano que o outro, embora seja 100 por cento máquina. O criador dos robots polícias resolve ir ainda mais longe e desenvolve uma consciência para o stes, sendo no entanto que consciência era a última coisa que os chefes da multinacional fornecedora pretendiam. Teimoso, como qualquer criador que se preze, ainda assim resolve consciencializar um dos robots à força, transformando-o assim numa autêntica criança, completamente permeável aos ensinamentos que se lhe dêem. O que ele não estava à espera era que lhe raptassem o robot, passando assim este a ser educado por um marginal muito mau e uma marginal muito boa, que passam a ser a mammy e o daddy do robot. A coisa corre mal e toda a gente morre, mas chappie, o robot, afinal tinha boa consciência e bastante inteligência e conseguiu uma autêntica redenção religiosa. Transferiu-se a ele, à mammy e ao criador para os corpos novinhos em folha de titânio de outros robots, criando assim uma santíssima trindade humano-cibernética. Que, como tudo hoje em dia, era impossível obter sem uma porta usb...






