Era uma vez um arquiteto cansado por uma longa carreira de projetos que nunca tinham saído do papel onde eles os desenhara. Como todos os arquitetos era vaidoso e não conseguia dissociar o seu bem estar pessoal com o sucesso profissional ou, neste caso, a falta dele. Dedicou muito tempo a tentar perceber porque o seus projetos não eram nunca escolhidos e chegou à conclusão que a culpa não era sua. O sucesso dos projetos eram inevitavelmente ditado pelas opiniões de pessoas cujo principal objetivo era dizer mal, e tentar manter o seu status quo, evitando a ascensão de outros, ainda que talentosos. Depois de muito pensar concluiu que o sucesso estava à distância da aniquilação da sua individualidade. Concebeu assim um edifício que de seu nada tinha que não fosse a ideia. Ideia que era fazer com que cada pessoa que contemplasse o edifício visse aquilo de que mais gostava no mundo, ou seja, que se visse a si próprio. Ao longe, o edifício era invisível. De perto, devolvia a imagem de quem o contemplava, suscitando imediatamente aprovação e admiração. E assim aconteceu. O arquiteto finalmente teve sucesso, mostrando ao mundo aquilo que o mundo queria ver. Foi uma ideia arrojada que, no entanto, apenas pode ser usada uma vez. O que lançou o arquiteto numa depressão ainda mais profunda porque pior que nunca ter tido sucesso é ter uma vez e nunca mais lhe sentir o sabor. A anulação do "eu" em favor do agrado imediato do público trouxe uma satisfação efémera. Ao conceber a obra definitiva baseada nesse truque conceptual, o arquiteto esgotou a sua fórmula e fiquei exposto à dor de ter alcançado o aplauso sem ter revelado nada da sua verdadeira essência. Ainda hoje pensa se valeu ou não a pena. Vaidoso como é, sabe que não...