24.8.26

115 - my lovely head

 


Era uma vez uma cidade que queria ficar para a história. Destituídos de qualquer motivação política, não tendo nenhuma agenda que não fosse criar uma referencia incontornável para a terra onde nasceram, onde viviam e que amavam, resolveram adoptar uma visão clássica e construir uma estátua que toda a gente conhecesse e que fosse sinónimo de tudo. Um colosso. Tipo o de Rodes. Escolheram um modelo e fecharam-no num quarto e destruíram todas as suas fotografias para que o efeito surpresa aquando da inauguração fosse total. Começaram então a construção. A estátua ia ter 85 metros de altura, uma vez que essa era a altura acima do metro que toda a gente tem que era considerada a ideal. Começaram por fazer a cabeça, porque intuíram acertadamente que ia ser um processo muito demorado e, como tal, havia que aproveitar a beleza actual do modelo. Dispenso a relato dos pormenores técnicos... Materiais, localização, cor, tamanho do cabelo, a orientação para que estaria virada, a roupa que teria vestida… Tudo isso foi discutido a exaustão. E tudo contribuiu para que o processo se fosse arrastando pelos anos. Inevitavelmente, o entusiasmo foi diminuindo e a cidade foi esquecendo o seu objectivo. Um dia, quando essa noticia já não espantava nem indignava ninguém, foi finalmente anunciado o cancelamento da obra. Tinham feito apenas a cabeça... Mas, inesperadamente, quando retiraram os andaimes e os tapumes, descobriram que aquela cabeça de 15 metros de altura, com umas feições perfeitas e que espreitava entre os prédios que a rodeavam, era uma referencia incontornável para toda a gente que por perto passava. Era como se se tivesse a cidade a olhar para si. Valia a pena ir de propósito olhar a cara da cidade nos olhos, e era mesmo bonita. As pessoas passaram a ir olhar a cara da cidade todos os dias, as pessoas queriam casar-se com a cidade por testemunha, todos os fotógrafos usavam a cara da cidade como modelo para tudo... A cidade ficou mundialmente conhecida como a cidade que tinha uma cara. E quando todo este sucesso permitiu que houvesse dinheiro para acabar a estátua, a população em peso foi unânime em dizer que não queriam que se construísse o resto do corpo. Cidades com estátuas havia muitas. Cidade com cabeça, havia apenas uma. E uma bonita cabeça. A cabeça ainda existe e está exposta na praça principal da cidade. Está cansada e, por isso, deitou-se.

 

114 - o campeonato da trsiteza

 

Na Polónia existe um campeonato de tristeza. Durante o ano ocorrem por todo  o lado shows de stand-up tragedy em que os concorrentes fazem o seu melhor para conseguir o pior, ou seja, para contarem a história mais triste que conseguirem. Podem ser histórias de vida reais ou simplesmente inventadas, e existem todo um conjunto de regras que não tenho de cor nem são o que interessa neste momento. A competição vai evoluindo em eliminatórias regionais, que passam a finais nacionais e por fim desembocam numa finalíssima. O critério é sempre o mesmo. Ganham que conseguir obter mais lágrimas do público. A forma de contabilização das lágrimas é complexa e foi concebida por um engenheiro hidráulico que, devido a esta invenção, ganhou uma reserva para o prémio Nobel da hidráulica, quando ese for finalmente e muito merecidamente instituído. Passa pela uso por parte dos espectadores de um fato própri muito parecido com os fatos destiladores dos Fremen do livro Dune. O prémio para o vencedor da competição é a impressão da sua cara em fontes colocadas nas principais cidades, que funciona initerruptamente recriando o choro que  concorrente vencedor provocou. A água é a mesma que o público chorou em direto nas diversas eliminatórias e que foi cuidadosamente recolhida e repartida nos vários reservatórios que funcionam como tanque de compensação para cada uma das fontes. A água não carece de nenhum tipo de tratamento porque o  sistema funciona em modo de recirculação e as perdas são mínimas. As bombas de recirculação são alimentadas através de painéis fotovoltaicos, embora confesse que não os consegui ver. Caso, por algum motivo, as perdas / evaporação ultrapassarem os 10%,  o campeão em título é convocado para uma sessão extraordinária de choro de manutenção. O concurso é certificado ambientalmente.

113 - O que podemos saber

 


Algures no futuro, a terra inundou consideravelmente via subida do nível das águas do mar, sendo que esta subida terá sido causada pelas alterações climáticas e teve um impacto muito grande nas ilhas britânicas. Um professor universitário desse futuro (2140) leva a cabo uma investigação profunda sobre o maior poeta inglês que viveu entre os séculos 20 e 21 e que escreveu o melhor poema de sempre, sob a forma de coroa. A coroa é um formato impossível em que tem que se fazer uns malabarismos inacreditáveis e no fim o poema ainda tem que fazer sentido. Manuscreveu-o num pedaço de couro e deu-o à mulher após ter feito a respetiva declamação num jantar com os amigos ingleses snobs, que no entanto estavam todos semi-bebâdos e ninguém, fixou nadinha do conteúdo, embora o tenham aplaudido efusivamente.. A mulher ficou com o dito rolo, leu-o e nunca mais o mostrou a ninguém nem nunca mais falou dele. o que implico que o melhor poema do mundo se tenha perdido e ninguém saiba muito bem o que lá dizia. Sabemos isto todo através do professor universitário que nos narra tudo isto e pouco mais a partir do futuro e baseado nos arquivos do poeta e da mulher e de mais uma infinidade de material académico que foi criado sobre a vida e obra do poeta. Chegamos assim ao meio do livro e sabemos tudo do que pouco interessa, quase nada sobre o mundo inundado e percebemos que o poema não existe. Much a do about nothing, diria outro poeta inglês também bastante conhecido. Começo assim a ler a parte dois, que é exatamente a mesma história contada na primeira pessoa pela mulher do poeta, que tinha enterrado um baú que o investigador, sem grande mérito, desenterra e, mais uma vez, lê até à exaustão. Aqui confesso que fiquei com algumas esperanças que a história fosse diferente e que este contraste entre a versão pessoal e oficial  enriquecesse o livro, mas a verdade é que a história era quase igual. Quase. Como bem sabemos, o diabo está nos detalhes, e essa pequena diferença, de cerca de 5% da história toda, vira-nos completamente do avesso por causa dos efeitos que tem e naquilo que nos faz sentir quando lemos. Esses 5% desencadeiam um conjunto de pensamentos, reflexões, confidências, consequências e etc, que dada a mestria com que estão escritos, nos derretem completamente. Chegamos assim a mais um daqueles casos típicos neste escritor em que somos convidados a deglutir 95% de palha bem escrita mas sem grande assunto (ou sem que o assunto seja devidamente desenvolvido), e, já exaustos, sem posição e com o rabo a doer (havia razões para isso), ficamos completamente agarrados e sem folego até acabar o livro com aquela sensação de que participamos em algo épico. Essa sensação de participação, naturalmente, também advém das descrições infernalmente pormenorizadas da primeira parte do livro, que nos criaram uma familiaridade próxima com todos os aspetos da história. Não vou falar dos 5%. Isto não é um resumo. Também não vou falar do poema. Não gosto muito de poesia... Quanto ao livro, e juro que não sei porque vou dizer isto, é muito muito bom.

21.8.26

112 - Metro

 


Lisboa, exercendo a sua capitalidade não só política mas também social e ambiental, preparou um plano ambicioso em caso de catástrofe energética. No dia em que a energia acabar, os cavalos sairão das paredes e regredirão ao seu destino incontornável, que é puxar as carruagens, neste caso do metro,  para transportar os humanos. Parece que os cavalos das estátuas também serão mobilizados e virão juntar-se, sendo que demorarão mais tempo a chegar e confesso que não estou a ver como descerão as escadas para as estações. Também não consigo prever como é que os cavaleiros das estátuas reagirão, até porque são quase todos pessoas difíceis, distribuídas entre a realeza e o exército. Assim de repente, lembro-me de D. José I, D. João I, D. Afonso Henriques, São Jorge e o dragão, Simão Bolívar, entre outros. Habituados a ver a cidade de uma posição de superioridade, ameaçando muitas vezes os plebeus com espadas desembainhadas e em posição de carga, como reagirão quando forem obrigados a desmontar para ceder os seus cavalos ao transporte dos plebeus ? Aceitarão a bem despromoção de passarem a estátuas pedestres ? Enfim, todo um conjunto de pormenores que de certeza já foi acautelado...

20.8.26

111 - Koutobia

 

Num cenário imaginário, teria abordado este homem e perguntado se a dimensão da tarefa não seria demasiado  esmagadora face à exiguidade dos meios disponíveis e ele ter-me-ia respondido que estava ali não para limpar o lixo físico mas sim para expurgar o local de toda a vacuidade que os turistas para ali traziam, não apenas por irem lá fisicamente, mas principalmente por terem transformado um determinado ângulo da mesquita numa obrigatoriedade dos instagrams de viagens. A santidade deste local não poderia ser suplantada pelo efêmero dos 10 minutos em fila para depois conseguir tirar a selfie a apanhar apanhá-los apenas a eles, expurgando a multidão que ou ainda esperava, ou já debandava, sempre visível. Cabia-lhe assim a ele varrer as pessoas dali, de maneira a manter a dignidade da Koutobia, que já tinha sido comprometida logo no ano da sua construção, no século XXIII, quando a implantaram desalinhada com Meca, o que implicou que tivessem que a demolir e construir de novo. Quanto a isso ele não podia fazer nada, mas varrer a estupidez dos turistas era como limpar uma praia no inverno, imaginava ele, uma vez que nunca o tinha feito. Era recompensador. Num cenário imaginário esta conversa tinha ocorrido exatamente assim e eu tinha-me ido embora com alguma vergonha, pensando nos 10 minutos que esperei para tira a fotografia que, ao menos isso, não era uma selfie mas sim uma fotografia do edifício em si. Na vida real, fui na mesma embora mas a pensar noutra coisa qualquer que já não me lembro.

110 - Koulchi Zine

 


Tantas foram as viagens que estes senhores fizeram que fui dar com eles numa parede em Marraquexe, a andarem em direção a um daqueles cafés com terraços em cima, onde teoricamente se pode ver as paisagens encantadoras da cidade vista de cima mas, na prática, não se consegue ver nada porque não se consegue encontrar a porta do referido espaço. Continuam por lá, a caminhar com direção mas sem conseguir entrar. Há também quem diga que eles estavam apenas à procura das lojas que vendiam sapatilhas vintage, talvez em segunda mão e de certeza que contrafeitas. Tendo em conta a maneira como eles se vestiam, esta segunda alternativa me pareça muito mais plausível. Mas não corresponde à realidade, porque eu estive nessas lojas e não os vi lá. Ficaram presos à parede até hoje e, provavelmente, para sempre. Será de organizar uma expedição para os ir salvar? Ou resignamo-nos e continuamos a viver em Yesterday?

14.8.26

109 - Nostalgia

 


Estes filmes são muito importantes porque permitem-me constatar a minha velha teoria de que 90% das clássicos são-no porque na altura em que os fizeram havia pouca produção e que estes se tornaram clássicos apenas porque ninguém percebia nada do que pretendiam mostrar. No que me diz respeito, não só não percebi nada como no dia seguinte já não me lembrava de uma única cena do filme. Penso ter sido este filme que foi seguido de um debate na sessão do cineclube. Teria sido genial ter ficado a ouvir, mas foi humanamente impossível aguentar mais. Hoje arrependo-me de não o ter feito, porque de certeza que foi hilariante. Ao contrário do filma.










108 - O colibri

 


Viagem através da vida de um oftalmologista italiano que vai navegando uma cronologia desordenada enquanto nos conta o que considera ter sido interessante na sua vida. Verdade seja dita que o faz muito bem, quer porque a escrita é ótima, quer porque a dose de sentimento e os seus pensamentos e ações são intensos e bons. Ficamos a saber, não propriamente por esta ordem da sua amizade com um jogador inveterado que no futuro se vai transformar num azarador profissional, na salvação in extremis quando ambos são expulsos de um avião que depois se despenha, do seu casamento com uma hospedeira búlgara (?), da história do casamento da sua mãe arquiteta esteta com o seu pai engenheiro pragmático, do seu irmão a quem manda cartas para os estados unidos, das maquetes incríveis que o seu pai fazia e da coleção de revista de ficção científica que tinha, da sua filha que tinha um fio preso nas costas que se enredava nas outras pessoas, da eutanásia que praticou primeiro ao seu pai e depois a si próprio e, talvez a parte mais plena de significado, a maneira como criou a sua neta, que apesar de ser uma mulher, foi anunciada como o homem do futuro. Chagado aqui, ia escrever que mesmo apesar de todas estas histórias bastante bem contadas, o livro não tem uma história propriamente dita, mas confesso que acabei de me aperceber da estupidez que é ter acabado de escrever isto. A história são as histórias e o que delas tiramos, que neste caso serão sempre melhores que um qualquer enredo específico sobre qualquer coisa específica. O que me baralha, porque geralmente não acredito nisto. Prefiro ter uma história a que me agarrar do que estar a espremer sensações do pedaços de histórias avulso. Mas a verdade é que neste caso penso que este foi o formato certo e que o livro resulta muito bem assim.

107 - o mago do kremlin

 


É uma entrevista imaginária entre não me lembro quem e aquele que terá sido o influencer de Putin durante os últimos 15 anos. Percorre todo o tempo desde a tomada ao poder pós Ieltsin atá à situação Ucrânia dos dias de hoje. No fundo não traz nada de intimista relativamente a Putin propriamente dito, o que poderá ser de facto uma sinal assustador de que o homem não tem íntimo humano. Fala da queda de algumas (poucas) pessoas de poder da transição pós-comunista mas nada revela sobre o que raio é que se passa no Kremlin nos dias de hoje.  A não ser o óbvio, que é que tudo o que se passa está apenas na cabeça de Putin. Se tivesse que classificar o livro avaliando por aquilo que nos é revelado sobre Putin por uma pessoa que o influenciou durante 25 anos, diria que nos é transmitido muito pouco. Que o trabalho realizado não foi lá grande coisa e que, consequentemente, o livro é mau. Acabei de me aperceber agora que já existe um filme, com o Jude Law a fazer de Putin. Pode ser que seja melhor...

23.7.26

106 - foi apenas um acidente


 

E eis que uma normalidade cheia de sentido irrompe de um filme iraniano, quando um homem reconhece o seu carrasco torturador pelo barulho que a sua prótese faz ao caminhar e o conduz, amarrado e vendado, numa carrinha até ao meio do deserto para o matar e enterrar. Junta na viagem mais ex-vítimas, sendo que uma delas é uma noiva que foi convocada a meio de sessão de fotografias, o que implicou que o noivo também fosse. Todos  (uns mais que outros) acabam por ter dúvidas se aquele homem normal que vai ter uma filha a qualquer momente, é de facto  o carrasco e, porque no fundo somos todos iguais, acabam por perdoar o carrasco, cabendo ao homem que despoletou tudo a decisão final de o perdoar e libertar. Arrependeu-se... recuperando um comentário anterior, não há filme iraniano que não acabe em tragédia...



105 -a light that never goes out

 

Flautista finlandês tenta sair da depressão participando numa coletivo paramilitar de sonoplastia. Sonoramente, o filme é terrível. Há, no entanto,  qualquer coisa nas atuações que nos faz acreditar que o filme vai ter algum sentido, algum significado, alguma mensagem para além do facto de nos países do norte da Europa os jovens poderem fazer literalmente tudo aquilo que lhes apetece, perante uma apatia descrente da sociedade em redor. A verdade é que o filme acaba como se alguém tivesse desligado a ficha de repente e, talvez por isso, o sentido nunca chegou a aparecer.

8.12.25

104 - darrow

  


Este livro é demasiado para ser resumido, descrito, avaliado, etc... Não é um livro, são 3 que eu já li e mais 3 que ainda não. Se calhar ainda é cedo para escrever sobre ele, mas vais vale cedo que nunca... O que mais me impactou nestes livros foi o facto de reunir uma séria de ideias, não originais isoladamente, mas nunca juntas todas no mesmo argumento antes. 
A terra esgotou-se por ação do homem, e o seu poder foi tomado por uma casta forjada no espaço, que reclamou para si o controlo não só do planeta mas de todos os planetas. Estamos a falar num sistema solar completamente colonizado pela humanidade, que terraformou todos os corpos celestes sólidos do sistema solar. A casta em causa foi-se formando e melhorando geneticamente ao longo dos anos, tornando-se mais forte, alta, bonita, inteligente e, acima de tudo, mais eficaz que todas as outras. A partir dessa superioridade, organizou uma sociedade cromática em que cada cor foi aperfeiçoada para fazer um tipo de função, para que todos juntas fizessem a sociedade funcionar, mas que nenhuma delas sozinha conseguisse ser autosuficiente. Assim sendo, temos os dourados dominantes, servidos por guerreiros obsidianos e cinzentos, cientistas azuis, escravos sexuais púrpura e trabalhadores vermelhos. Os dourados organizam-se tipo Roma e mandam os seus filhos para um planeta fazer uma battle royale entre equipas, funcionando como uma academia a partir de onde sairão os próximos lideres, patrocinados pelos atuais. Naturalmente que apenas jovens dourados lá entram, o que é perfeitamente lógico. Se tens o poder, apenas formas os teus para criar elites. Não vais dar conhecimento e poder às outras castas. Nunca nenhum grupo dominante fez isso.  Mas ao mesmo tempo que criam a elite, não se coíbem de matar os mais fracos entre si, e logo na primeira prova 50% dos candidatos morre às mãos dos outros 50, via combates individuais sem armas.
Do outro lado de espectro cromático estão os vermelhos, a quem foi dado o objetivo de extrair de Marte as matérias primas necessárias para alimentar o resto do universo e a quem foi vendida a idéia que estariam a terraformar o seu planeta. Não estavam, porque os dourados já o tinham feito, apenas com o requinte de o terem feito às escondidas e de não deixarem os vermelhos entrar.

7.12.25

103 - good time

 


O Cedric devia ter continuado morto...

102 - get out

                                     

Jovem negro é quase literalmente absorvido por família branca. 

6.12.25

101 - mickey 17

                                     
É uma espécie de dia da marmota cruzado com o edge of tomorrow, em que o edward cullen passa o dia a morrer até finalmente conseguir morrer de vez, num ataque de vogons saídos do restaurante do fim do mundo. Mas é algo shrodingeriano, uma vez que morre e não morre. Foi essa a questão.

100 - a substância

                         

Filme complicado de tão mau. A Demi Moore literalmente passa o filme tudo a vomitar-se a si própria. Ou talvez a regurgitar-se a si própria. Não vou dizer mais nada...

1.12.25

99 - o brutalista


 Arquiteto inventado é violado.

98 - baan

Arquiteta portuguesa vai para a Tailândia e mantém o seu registo de não fazer nem dizer nada que justifique fazerem um filme a seu respeito. Ainda assim alguém fez.

97 - O meu bolo favorito

Casal de septuagenários iranianos passam a noite juntos no jardim da casa dela, conversando, dançando, comendo bolo, fazendo sexo e, no caso dele, morrendo no fim. Há sempre qualquer coisa trágica num filme iraniano. Não conseguem fazer uma filme sem que a desgraça acabe sempre por entrar. É verdade que o fazem com elegância e bastante humanidade, mas parecem não perceber que a humanidade já está farta. De desgraças. O que poderia ser um hino à vida acaba numa confirmação de morte. Á qual, naturalmente, o bolo foi alheio.

96-Anora

Rapariga situada algo no  limite entre stripper e trabalhadora sexual encontra filho de oligarca russo situado algures entre a inconsciência social típica dos seus genes e o atraso mental declarado. E pinam bastante,  e, inacreditavelmente, ganham o óscar de melhor filme. Não me custou muito a ver, mas sinceramente não sei o que diga.