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25.9.26

129 - Dogville

 


Um dia fui a uma despedida de solteiro masculina. Era um grupo grande em que as pessoas se conheciam em grupos mais pequenos de duas ou três pessoas, mas cada participante tinha muitas pessoas desconhecidas. Começou por um jantar de confraternização em que, gradualmente, os diversos participantes começaram a interagir uns com os outro ganhando conforto e familiaridade naturalmente propiciada pela comida, bebida e ambiente. Todos concordavam com o que todos diziam todos se estava a divertir imenso. Após o jantar, e eventualmente depois da uma ida a um bar, toda a comitiva se dirigiu para um estabelecimento de strip tease cheio de prostitutas. A maioria das pessoas entrou com algum receio, mas a verdade é que a familiaridade adquirida no jantar fez com que tudo parecesse natural e corresse bem, e a todos pareceu natural disfrutar do ambiente de uma forma natural e inocente, até porque a pessoa mais visada era o noivo, que de facto foi recebendo a atenção das prostitutas. Não tardou que o conceito de naturalidade evoluísse ao sabor do ambiente, passando quase todas as pessoas a achar que também podiam interagir com as prostitutas, começando por conversas auscultatórias sociais (muito engraçadas) e evoluindo para toques, abraços e conversas mais picantes. Não tardou muito a que as conversas passassem a acção e a tentativa de ação, sendo que a maioria das pessoas acabou por se envolver com as prostitutas havendo mesmo alguns episódios de sexo oral mais ou menos explícitos, uns consentidos e outros negados. Passado algum tempo, não muito, foi decidido sair daquele local e toda a gente se reuniu no exterior, retomando as conversas que tinham antes de entrar no local. A normalidade voltou e toda a gente se despediu amigavelmente e deu por terminado aquele, chamemos-lhe assim, evento social.Os paralelos com o filme não são diretos nem evidentes, nem têm que ser porque este texto é um registo pessoal e não tem que ser coerente a rigoroso em absoluto. Mas a verdade é que me lembrei da despedida de solteiro durante o filme. Numa comunidade tradicional, desenhada a giz no chão, pessoas normais acolhem de uma forma hospitaleira uma mulher que, vem-se a saber depois, era perseguida pela polícia. Toda a gente gosta dela e integram-na na normalidade das suas vidas. Agradecida, a mulher oferece-se para ajudar as pessoas e estabelecem um horário rotativo de ajuda. Rapidamente cada uma das pessoas sente a necessidade de exigir cada vez mais da mulher, chegando-se a uma situação de escravatura prática. Física, principalmente, mas também moral, porque cada um à sua maneira começa a oprimi-la, humilhá-la e tratá~la cada vez pior. Os homens fizeram o que costumam fazer que fi aproveitar todo e qualquer pretexto para obter sexo forçado com ela e as mulheres também fizeram o que costumam fazer, respeitando ao despeito que sentiam pelas ações dos maridos com humilhações ainda maiores à culpada daquilo tudo. Em profundo desespero, a mulher tenta fugir, e´apanhada, dá-se uma espécie de julgamnto público e ela expõe tudo o que sente. A sociedade, chamemos-lhe assim, reflete e chega à conclusão que se calhar estavam a exagerar. Gradualmente vão diminuindo as exigências e voltando à normalidade do início, tratando-a como um ser humano e acabando com as explorações. Não sei onde é que o realizador queria chegar com este filme, atá porque é um realizador complicado, muito descrente da espécie humana e longe da normalidade, seja lá o que esta for. Mas a mim, fez-me pensar que a sociedade facilmente parte da legitimidade da normalidade que vive para situações em que cada individuo tenta explorar o elo mais fraco com que se depara, fazendo isso enquanto pode e consegue criando assim uma nova normalidade que legitima as suas ações. Mas como ninguém é totalmente mau, acabam (geralmente por algum acontecimento vindo do exterior) por se aperceber do mal que estão a fazer e oscilam novamente para a normalidade inicial. Há sempre indivíduos que resistem a este fenómeno de massas, não por serem melhores que os outros mas talvez porque são naturalmente divergentes dos fenómenos em massa. No filme o divergente era Tom, o único homem que gostava de Grace e, como tal, a respeitou. Na despedida de solteiro fui eu, que quando era novo achava ridículo e degradante partilhar intimidade com pessoas que não a queriam.

24.9.26

128 - Carnage



Homemade doubledate, ou talvez swing verbal. Não sabia que era do Polansky...

23.9.26

126 - o meu tio

 


Casal novo rico vive em moradia tipo de gama onde sobressai uma estátua de sardinha de pé, no meio de uma fonte, e que deita água pela boca. Há um caminho pedonal curvo que faz com que a distância entre portão e porta triplique. Há um portão automático que se abre a partir da cozinha e plantas que parecem estar coladas na parede. Há um jantar da caricaturas em que a que me chamou mais a atenção foi uma loira bonita que não falou e a que mais me irritou foi uma outra que não parava de se rir. Alguém furou um tubo o sistema de rega op que fez com que a água da fonte deixasse de jorrar pela boca da sardinha e passasse a sair pelo buraco no tubo. Uma questão de perda de carga...Entretanto lembro-me que o casal novo rico tem um filho que não fala mas que parece algo travesso, principalmente quando coloca na cabeça as penas de chefe índio, cujo nome erudito é cocar. E, finalmente, existe também um tio, que mora numas águas furtadas e anda sempre de agbardine e a fumar um cachimbo. Farta-se de interagir com a vizinhança típica do bairro e parece algo descoordenado e trapalhão. Supostamente o papel dele é humanizar o sobrinho, aliviando-o da pressão novo-riquista dos pais. Não sei se o fez e como o fez porque a verdade é que o tio não diz uma palavra o filme todo. Ou então falou apenas nos momentos em que poderei ter adormecido. O filme é visualmente agradável e venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1959 e o Prémio do Júri no Festival de Cannes. O que confirma a minha teoria que no passado a quantidade era tão menor que a qualidade se afirmava com muito menor necessidade de... qualidade.

14.8.26

109 - Nostalgia

 


Estes filmes são muito importantes porque permitem-me constatar a minha velha teoria de que 90% das clássicos são-no porque na altura em que os fizeram havia pouca produção e que estes se tornaram clássicos apenas porque ninguém percebia nada do que pretendiam mostrar. No que me diz respeito, não só não percebi nada como no dia seguinte já não me lembrava de uma única cena do filme. Penso ter sido este filme que foi seguido de um debate na sessão do cineclube. Teria sido genial ter ficado a ouvir, mas foi humanamente impossível aguentar mais. Hoje arrependo-me de não o ter feito, porque de certeza que foi hilariante. Ao contrário do filma.










23.7.26

106 - foi apenas um acidente


 

E eis que uma normalidade cheia de sentido irrompe de um filme iraniano, quando um homem reconhece o seu carrasco torturador pelo barulho que a sua prótese faz ao caminhar e o conduz, amarrado e vendado, numa carrinha até ao meio do deserto para o matar e enterrar. Junta na viagem mais ex-vítimas, sendo que uma delas é uma noiva que foi convocada a meio de sessão de fotografias, o que implicou que o noivo também fosse. Todos  (uns mais que outros) acabam por ter dúvidas se aquele homem normal que vai ter uma filha a qualquer momente, é de facto  o carrasco e, porque no fundo somos todos iguais, acabam por perdoar o carrasco, cabendo ao homem que despoletou tudo a decisão final de o perdoar e libertar. Arrependeu-se... recuperando um comentário anterior, não há filme iraniano que não acabe em tragédia...



105 -a light that never goes out

 

Flautista finlandês tenta sair da depressão participando numa coletivo paramilitar de sonoplastia. Sonoramente, o filme é terrível. Há, no entanto,  qualquer coisa nas atuações que nos faz acreditar que o filme vai ter algum sentido, algum significado, alguma mensagem para além do facto de nos países do norte da Europa os jovens poderem fazer literalmente tudo aquilo que lhes apetece, perante uma apatia descrente da sociedade em redor. A verdade é que o filme acaba como se alguém tivesse desligado a ficha de repente e, talvez por isso, o sentido nunca chegou a aparecer.

7.12.25

103 - good time

 


O Cedric devia ter continuado morto...

6.12.25

101 - mickey 17

                                     
É uma espécie de dia da marmota cruzado com o edge of tomorrow, em que o edward cullen passa o dia a morrer até finalmente conseguir morrer de vez, num ataque de vogons saídos do restaurante do fim do mundo. Mas é algo shrodingeriano, uma vez que morre e não morre. Foi essa a questão.

100 - a substância

                         

Filme complicado de tão mau. A Demi Moore literalmente passa o filme tudo a vomitar-se a si própria. Ou talvez a regurgitar-se a si própria. Não vou dizer mais nada...

1.12.25

99 - o brutalista


 Arquiteto inventado é violado.

98 - baan

Arquiteta portuguesa vai para a Tailândia e mantém o seu registo de não fazer nem dizer nada que justifique fazerem um filme a seu respeito. Ainda assim alguém fez.

97 - O meu bolo favorito

Casal de septuagenários iranianos passam a noite juntos no jardim da casa dela, conversando, dançando, comendo bolo, fazendo sexo e, no caso dele, morrendo no fim. Há sempre qualquer coisa trágica num filme iraniano. Não conseguem fazer uma filme sem que a desgraça acabe sempre por entrar. É verdade que o fazem com elegância e bastante humanidade, mas parecem não perceber que a humanidade já está farta. De desgraças. O que poderia ser um hino à vida acaba numa confirmação de morte. Á qual, naturalmente, o bolo foi alheio.

96-Anora

Rapariga situada algo no  limite entre stripper e trabalhadora sexual encontra filho de oligarca russo situado algures entre a inconsciência social típica dos seus genes e o atraso mental declarado. E pinam bastante,  e, inacreditavelmente, ganham o óscar de melhor filme. Não me custou muito a ver, mas sinceramente não sei o que diga.

10.1.16

92 - chappie













É uma mistura entre o robocop e o distrito 12. Em vez de Detroit passa-se em Joanesburgo e este robot é bastante mais fixe e humano que o outro, embora seja 100 por cento máquina. O criador dos robots polícias resolve ir ainda mais longe e desenvolve uma consciência para o stes, sendo no entanto que consciência era a última coisa que os chefes da multinacional fornecedora pretendiam. Teimoso, como qualquer criador que se preze, ainda assim resolve consciencializar um dos robots à força, transformando-o assim numa autêntica criança, completamente permeável aos ensinamentos que se lhe dêem. O que ele não estava à espera era que lhe raptassem o robot, passando assim este a ser educado por um marginal muito mau e uma marginal muito boa, que passam a ser a mammy e o daddy do robot. A coisa corre mal e toda a gente morre, mas chappie, o robot, afinal tinha boa consciência e bastante inteligência e conseguiu uma autêntica redenção religiosa. Transferiu-se a ele, à mammy e ao criador para os corpos novinhos em folha de titânio de outros robots, criando assim uma santíssima trindade humano-cibernética. Que, como tudo hoje em dia, era impossível obter sem uma porta usb...

8.12.15

91 - zero dark thirty













Revi no outro dia, há pouco tempo. Duas semanas, penso eu, já depois dos atentados de Paris. não escolhi rever, apenas me passou à frente e achei que se calhar poderia perceber algo que não me tinha apercebido quando vi da primeira vez. E o que percebi foi que achei ainda mais estúpido agora. Uma coisa encomendada, sem nenhum sentido. Uma apropriação hollywoodiana de um acontecimento que não deveria ter acontecido ou que, mesmo que tivesse que acontecer, a última coisa a fazer era um filme sobre isso. Para dizer o quê? Que foi um grande feito, a nação mais poderosa do mundo demorar dez anos a matar um terrorista que se escondia no meio dos pastores ? E transformar isso numa cruzada de uma qualquer analista de informação ? Foi mesmo por causa dela que os Estados Unidos não desistiram de procurar o responsável por 3.000 mortes ?  E é mesmo importante estar a dar profundidade psicológica aos executores ? Para legitimar o quê ? Hi-fives por um assassinato ? em momentos destes ainda bem que não sou americano. Ia ter muita vergonha deste filme. E é esta a mesma realizadora que fez o Estranhos Prazeres ? Não percebo nada...

21.6.15

84 - the giver













the giver
Divergente, gritaram os meus neurónios a plenos pulmões quando comecei a ver o filme. copianço descarado, sucedâneo, sub-produto, plágio... Mas estavam lá o Jeff Bridges e a Meryl Streep, e isso fez-me investigar com mais cautela. Suspendi o visionamento até ter tempo para perceber quem era a galinha e quem era o ovo, o que demorou algumas semanas. Tenho uma vida algo ocupada... mas finalmente lá percebi. Aprendi há já muito tempo que tudo o que é bom na vida vem nos livros, talvez pelo facto de que quem escreve livros tem muito tempo para pensar, e é a pensar que a gente se entende. uma pequena investigação fez-me ver que o livro que deu origem ao divergente (e que por acaso até li) foi escrito em 2011, enquanto que The Giver, foi escrito por Lois Lowry em 1994. Satisfeito por os meus instintos estarem certos, retomei então o filme, pronto para absorver o que ele tivesse de bom. E tinha algumas coisas. Começou logo com a eterna confusão entre utopia e distopia, e ainda não foi desta que me consegui organizar. O filme passa-se numa sociedade que erradicou a guerra, a pobreza e a injustiça. Utopia. Mas à custa da lavagem cerebral dos habitantes. Distopia. As cidades são lindíssimas, arranjadas e organizadas. Utopia. Mas fora delas, em quase todo o planeta, é o grande deserto desconhecido. Distopia. Ou seja, começamos logo com um conjunto grande de sinais contraditórios que têm pelo menos o mérito de nos fazer querer continuar a ver, mesmo apesar das roupas e horríveis bicicletas brancas. 

20.6.15

82 - pride













pride
LGBT's londrinos decidem apoiar materialmente a famosa greve mineira no País de Gales, que ia acabando com Margaret Tatcher mas que acabou, infelizmente, com Margaret Tatcher a acabar com ela. Metem-se numa pão de forma e vão até Gales, sofrer na pelo o desconforto do frio e o frio do desconforto. Porque, se por uma lado de se farta de nevar, por outro lado não encontram (quase) nenhum calor humano que os reconforte e os recompense d ovem que pensam estar a fazer. Mas bons rapazes perto de velhinhas é como água mole em pedra dura, tanto batendo até que fura. O que neste caso quer dizer que não demorou muito a caírem no goto (detesto esta expressão) da comunidade welsh, que deixou de se preocupar com o lado que eles reservavam para o sexo e passou a ver as excelentes pessoas que eles eram. Porque os LGBT´s são, aparentemente, todos fixes. o povo unido, como dizia o gabriel, de novo foi vencido e a greve foi desmantelada por Londres. Os LGBT's voltaram para casa e viveram algum tempo mais ou menos separados, até ao dia da gay parade, em que acontece a cena mais bonita do filme quando os mineiros vêm em peso apoiar os seus amigos na sua hora de reenvidicação. E cheios de bandeiras...

80 - i origins













Tudo para dar certo. Tudo mesmo. Rapaz meio esgazeado fotografa olhos das raparigas que conhece, acabando por ficar cativado pelos olhos de uma rapariga da qual mais nada vê, numa festa. Passa muito tempo até que a encontra e pouco tempo a ser feliz com ela, já que inevitavelmente acontece a tragédia imagem de marca sem a qual um filme que se pretende alternativo tal não o consegue ser. Aparentemente, os filmes alternativos tem que acabar mal. pensando bem, não se trata de acabar mal. Trata-se de ficar mal no fim do primeiro terço do filme, até ao qual nós estávamos a assistir encantados a todo um rol de ideias originais. E eis que, vindo do nada, sem que faça nenhum sentido especial, a tragédia acontece e nós temos que passar o resto do filme deprimidos, sendo que esse é o preço para continuar a ver ideias originais. Podendo resultar com outros tipos de público, comigo essa estratégia não resulta. Mal me cheira a tragédia, o meu cérebro começa a libertar dopamina, ou lá o que é e adormeço redondamente. Ao ponto de no dia seguinte não relembrar de quase nada. Ao ponto de umas semanas depois estar a ver o trailer para orientar as ideias para este resumo e mais de metade das imagens me serem completamente estranhas. Até um pavão branco por lá andava, não sei se no filme, no trailer ou nos meus sonhos. Ou em todos. Ou em nenhum. Enfim, o que fica no fim? Imagens bonitas e uma impressão que passamos ao lado de alguma coisa muito boa, sem que a tivéssemos conseguido apreciar convenientemente. Esconjuro essa sensação prestando aqui a devida referência para me lembrar algures no futuro de tornar a ver este filme, a ver se apanho o resto...

2.5.15

79 - about time













Procurei este filme porque me cheirava a ficção científica de idéias, género que eu desde sempre procurei e nem sempre encontrei. Aqui também não encontrei, mas encontrei diversas outras coisas que me agradaram muito. Para começar, a figura do pai, que me era familiar mas do qual apenas conseguia lembrar do pirate rock, em que era o fleumático dono do barco que se afundou com ele. pesquisando um bocadinho, constatei que afinal éramos já velhos conhecidos, já que ele era o Viktor do Underworld, o general nazi do Valkiria, e outros que tais. Um pai que se reformou aos 50 anos para passar o resto da vida a ler, jogar ténis de mesa com o filho e atirar pedras horizontais na praia. Agarrado ao pai vem a família fixe anormal que todos gostaríamos de ter mas que finalmente não temos, porque a nossa é muito melhor. Destaca-se, evidentemente a irmã sempre descalça, que se vê à légua que vai gastar toda a sua boa sorte nos primeiros anos, e vai passar o resto da vida mal calçada... No que diz respeito à história, temos que o pai conta ao filho o segredo dos homens da família, que é a capacidade de viajar no tempo, capacidade que o pai utilizou para poder ler tudo aquilo que lhe apetecesse. Essa escolha não me escandaliza. A escolha que ele fez dos livros a ler, tipo Dickens três vezes, essa sim, considero a parte mais inverosímil do filme. o filho era, no entanto, mais sensato, e compensava o cabelo demasiado ruivo com uma sensatez muito grande na escolhe de como deveria potencial essa recém adquirida capacidade. vou utilizá-la no mor, disse ele app pai e o pai, que apesar do problema Dickensiano não era parvo nenhum, disse: fazes bem. A partir daí, Tim (o filho), passa o resto do filme a ir atrás fazer tudo para conseguir com Mary aquilo que todos nós queremos com outra pessoa: a felicidade. Consegue-a, materializando-a com os filhos e com uma vida que, se não se pudesse dizer mais nada, era pelo menos suficientemente rica para não lhe apetecer voltar atrás para fazer qualquer mudança. E isso, digo eu que não consigo viajar no tempo, já é muito bom...

10.4.15

78 - in time












Espero, por norma, pouco de um filme em que o título é um cliché e o actor principal é outro. Espero, por norma, errado. Quase nada do que espero acontece e quase sempre isso é mau. Desta vez não foi. Vivemos no futuro e até aos 25 anos não temos que nos preocupar com nada. É dinheiro em caixa. Paramos de envelhecer e dão-nos um relógio que fica indelevelmente marcado no braço esquerdo e que passa a marcar o tempo que tens para viver. e carregam-no com 365 dias.  A partir daí, a vida de cada um passa a ser aquilo que cada um pode pagar para viver. Tipo telemóvel. Pode-se carregar ao minuto e a facturação é detalhada. As instituições de caridade distribuem tempo aos necessidades e as pessoas podem ceder tempo umas às outras, bastando para isso encostar os braços, se forem os braços esquerdos. Neste mundo os ricos vivem para sempre e os pobres arriscam-se a ver morrer os entes queridos porque lhes encostaram o braço esquerdo umas décimas de segundo tarde demais. As filhas, as mulheres e as mães são todas iguais e as pessoas guardam nos bancos pens com dias lá guardados. Dizem os rumores que o homem mais rico do mundo tem um milhão de anos na conta a prazo, trancafiada num banco, e parece que isso é mesmo verdade. A inflação é do caraças e de um dia para o outro podes ver a tua vida reduzida a zero, e isto literalmente. O herói cliché e a heroína oriental decidem enfrentar o sistema assaltando os bancos e dando ao desbarato o tempo que neles estava guardado. A ideia é que, quando toda a gente tiver todo o tempo do mundo, o mundo deixe de ter problemas. É a vantagem do tempo sobre o dinheiro. O tempo não desvaloriza nem diminui quando toda a gente tem muito. O tempo dura sempre o mesmo, não é sujeito a desvalorizações, nem a inflações e nem a depreciações. O tempo é universal. O tempo é absoluto. O Einstein não tinha razão...