21.6.15

84 - the giver













the giver
Divergente, gritaram os meus neurónios a plenos pulmões quando comecei a ver o filme. copianço descarado, sucedâneo, sub-produto, plágio... Mas estavam lá o Jeff Bridges e a Meryl Streep, e isso fez-me investigar com mais cautela. Suspendi o visionamento até ter tempo para perceber quem era a galinha e quem era o ovo, o que demorou algumas semanas. Tenho uma vida algo ocupada... mas finalmente lá percebi. Aprendi há já muito tempo que tudo o que é bom na vida vem nos livros, talvez pelo facto de que quem escreve livros tem muito tempo para pensar, e é a pensar que a gente se entende. uma pequena investigação fez-me ver que o livro que deu origem ao divergente (e que por acaso até li) foi escrito em 2011, enquanto que The Giver, foi escrito por Lois Lowry em 1994. Satisfeito por os meus instintos estarem certos, retomei então o filme, pronto para absorver o que ele tivesse de bom. E tinha algumas coisas. Começou logo com a eterna confusão entre utopia e distopia, e ainda não foi desta que me consegui organizar. O filme passa-se numa sociedade que erradicou a guerra, a pobreza e a injustiça. Utopia. Mas à custa da lavagem cerebral dos habitantes. Distopia. As cidades são lindíssimas, arranjadas e organizadas. Utopia. Mas fora delas, em quase todo o planeta, é o grande deserto desconhecido. Distopia. Ou seja, começamos logo com um conjunto grande de sinais contraditórios que têm pelo menos o mérito de nos fazer querer continuar a ver, mesmo apesar das roupas e horríveis bicicletas brancas. 

20.6.15

83 - todos os meus amigos são super-heróis














"...Existem aproximadamente 249 super-heróis na cidade de Toronto. Tom não é super-herói, mas conhece vários - O Anfíbio, A Pilha de Nervos, A Bronca, O Homem Impossível, O Minigigante, Daquiapouco, A Doma-Rapaz, entre outros. Tom casou-se com uma super-heroína, A Perfeccionista, cujo poder é tornar tudo perfeito. No dia do casamento, Hipno, supervilão e ex-namorado da Perfeccionista, hipnotizou-a - Tom ficou invisível, mas somente aos olhos dela. Depois de seis meses sem ver o marido, a Perfeccionista está prestes a pegar um avião para recomeçar a vida em Vancouver. É a partir de uma bela história de amor que 'Todos os meus amigos são super-heróis' constrói um universo onde amizade, romance, profissões e cotidianos muito parecidos com os nossos ganham uma fina pátina de superpoder - ou mostra que superpoderes são apenas questão de ponto de vista. Tom está desesperado para que sua amada Perfeccionista volte a vê-lo e amá-lo. Como resolver isto sendo o único ser humano sem poderes dessa história?..."

82 - pride













pride
LGBT's londrinos decidem apoiar materialmente a famosa greve mineira no País de Gales, que ia acabando com Margaret Tatcher mas que acabou, infelizmente, com Margaret Tatcher a acabar com ela. Metem-se numa pão de forma e vão até Gales, sofrer na pelo o desconforto do frio e o frio do desconforto. Porque, se por uma lado de se farta de nevar, por outro lado não encontram (quase) nenhum calor humano que os reconforte e os recompense d ovem que pensam estar a fazer. Mas bons rapazes perto de velhinhas é como água mole em pedra dura, tanto batendo até que fura. O que neste caso quer dizer que não demorou muito a caírem no goto (detesto esta expressão) da comunidade welsh, que deixou de se preocupar com o lado que eles reservavam para o sexo e passou a ver as excelentes pessoas que eles eram. Porque os LGBT´s são, aparentemente, todos fixes. o povo unido, como dizia o gabriel, de novo foi vencido e a greve foi desmantelada por Londres. Os LGBT's voltaram para casa e viveram algum tempo mais ou menos separados, até ao dia da gay parade, em que acontece a cena mais bonita do filme quando os mineiros vêm em peso apoiar os seus amigos na sua hora de reenvidicação. E cheios de bandeiras...

81 - a incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário ikea













Acredite-se ou não o livro é apenas isto. Um faquir vai da índia ao ikea de  paris para comprar uma cama de pregos e decide dormir na loja. Para não ser descoberto pelos empregados, esconde-se dentro de um armário que vai para Londres com ele dentro e em Londres, pelo mesmo motivo, esconde-se não sei aonde e vai ter a Roma etc, etc. eu sei que sempre achei que o mais difícil para escrever um livro é ter uma boa idéia, mas isto é um exemplo flagrante que não basta uma boa idéia para escrever um livro. Que seca. Este é daqueles livros que se dissermos que o lemos temos direito a 15 segundos de fama por parecer ser um livro original, mas se formos chamados a discuti-lo, será concretiza a última vez que tal acontece.

80 - i origins













Tudo para dar certo. Tudo mesmo. Rapaz meio esgazeado fotografa olhos das raparigas que conhece, acabando por ficar cativado pelos olhos de uma rapariga da qual mais nada vê, numa festa. Passa muito tempo até que a encontra e pouco tempo a ser feliz com ela, já que inevitavelmente acontece a tragédia imagem de marca sem a qual um filme que se pretende alternativo tal não o consegue ser. Aparentemente, os filmes alternativos tem que acabar mal. pensando bem, não se trata de acabar mal. Trata-se de ficar mal no fim do primeiro terço do filme, até ao qual nós estávamos a assistir encantados a todo um rol de ideias originais. E eis que, vindo do nada, sem que faça nenhum sentido especial, a tragédia acontece e nós temos que passar o resto do filme deprimidos, sendo que esse é o preço para continuar a ver ideias originais. Podendo resultar com outros tipos de público, comigo essa estratégia não resulta. Mal me cheira a tragédia, o meu cérebro começa a libertar dopamina, ou lá o que é e adormeço redondamente. Ao ponto de no dia seguinte não relembrar de quase nada. Ao ponto de umas semanas depois estar a ver o trailer para orientar as ideias para este resumo e mais de metade das imagens me serem completamente estranhas. Até um pavão branco por lá andava, não sei se no filme, no trailer ou nos meus sonhos. Ou em todos. Ou em nenhum. Enfim, o que fica no fim? Imagens bonitas e uma impressão que passamos ao lado de alguma coisa muito boa, sem que a tivéssemos conseguido apreciar convenientemente. Esconjuro essa sensação prestando aqui a devida referência para me lembrar algures no futuro de tornar a ver este filme, a ver se apanho o resto...

2.5.15

79 - about time













Procurei este filme porque me cheirava a ficção científica de idéias, género que eu desde sempre procurei e nem sempre encontrei. Aqui também não encontrei, mas encontrei diversas outras coisas que me agradaram muito. Para começar, a figura do pai, que me era familiar mas do qual apenas conseguia lembrar do pirate rock, em que era o fleumático dono do barco que se afundou com ele. pesquisando um bocadinho, constatei que afinal éramos já velhos conhecidos, já que ele era o Viktor do Underworld, o general nazi do Valkiria, e outros que tais. Um pai que se reformou aos 50 anos para passar o resto da vida a ler, jogar ténis de mesa com o filho e atirar pedras horizontais na praia. Agarrado ao pai vem a família fixe anormal que todos gostaríamos de ter mas que finalmente não temos, porque a nossa é muito melhor. Destaca-se, evidentemente a irmã sempre descalça, que se vê à légua que vai gastar toda a sua boa sorte nos primeiros anos, e vai passar o resto da vida mal calçada... No que diz respeito à história, temos que o pai conta ao filho o segredo dos homens da família, que é a capacidade de viajar no tempo, capacidade que o pai utilizou para poder ler tudo aquilo que lhe apetecesse. Essa escolha não me escandaliza. A escolha que ele fez dos livros a ler, tipo Dickens três vezes, essa sim, considero a parte mais inverosímil do filme. o filho era, no entanto, mais sensato, e compensava o cabelo demasiado ruivo com uma sensatez muito grande na escolhe de como deveria potencial essa recém adquirida capacidade. vou utilizá-la no mor, disse ele app pai e o pai, que apesar do problema Dickensiano não era parvo nenhum, disse: fazes bem. A partir daí, Tim (o filho), passa o resto do filme a ir atrás fazer tudo para conseguir com Mary aquilo que todos nós queremos com outra pessoa: a felicidade. Consegue-a, materializando-a com os filhos e com uma vida que, se não se pudesse dizer mais nada, era pelo menos suficientemente rica para não lhe apetecer voltar atrás para fazer qualquer mudança. E isso, digo eu que não consigo viajar no tempo, já é muito bom...

10.4.15

78 - in time












Espero, por norma, pouco de um filme em que o título é um cliché e o actor principal é outro. Espero, por norma, errado. Quase nada do que espero acontece e quase sempre isso é mau. Desta vez não foi. Vivemos no futuro e até aos 25 anos não temos que nos preocupar com nada. É dinheiro em caixa. Paramos de envelhecer e dão-nos um relógio que fica indelevelmente marcado no braço esquerdo e que passa a marcar o tempo que tens para viver. e carregam-no com 365 dias.  A partir daí, a vida de cada um passa a ser aquilo que cada um pode pagar para viver. Tipo telemóvel. Pode-se carregar ao minuto e a facturação é detalhada. As instituições de caridade distribuem tempo aos necessidades e as pessoas podem ceder tempo umas às outras, bastando para isso encostar os braços, se forem os braços esquerdos. Neste mundo os ricos vivem para sempre e os pobres arriscam-se a ver morrer os entes queridos porque lhes encostaram o braço esquerdo umas décimas de segundo tarde demais. As filhas, as mulheres e as mães são todas iguais e as pessoas guardam nos bancos pens com dias lá guardados. Dizem os rumores que o homem mais rico do mundo tem um milhão de anos na conta a prazo, trancafiada num banco, e parece que isso é mesmo verdade. A inflação é do caraças e de um dia para o outro podes ver a tua vida reduzida a zero, e isto literalmente. O herói cliché e a heroína oriental decidem enfrentar o sistema assaltando os bancos e dando ao desbarato o tempo que neles estava guardado. A ideia é que, quando toda a gente tiver todo o tempo do mundo, o mundo deixe de ter problemas. É a vantagem do tempo sobre o dinheiro. O tempo não desvaloriza nem diminui quando toda a gente tem muito. O tempo dura sempre o mesmo, não é sujeito a desvalorizações, nem a inflações e nem a depreciações. O tempo é universal. O tempo é absoluto. O Einstein não tinha razão...

4.4.15

77 - snowpiercer













Para combater o efeito de estufa, os líderes da humanidade resolveram lançar na atmosfera um químico que funcionou melhor do que se esperava e provocou uma glaciação em todo o planeta. Isto provocou a extinção em massa da espécie humana, que compreensivamente congelou, ficando toda ela à espera de alguém que consiga vir provar que a criogenia não é apenas uma tanga para impingir a milionários velhos. Safaram-se apenas, e porque se safam sempre alguns, ou não haveria filme, os tripulantes de um comboio construído por um milionário americano excêntrico, não que a sua excentricidade e nacionalidade tenham sido assumidas no filme, mas torna-se claro para os espectadores que geralmente quando estes dois adjectivos andam juntos, então a presunção do terceiro é quase sempre acertada. O comboio, ironicamente, era aquilo que o planeta já não poderia ser, ou seja, era um ecossistema competente, que obtinha a sua energia não sei de onde, e andava à volta do mundo, numa linha de cerca de 40.000 km de extensão que entretanto se tinha construído. Demorava um ano a completar a volta, mas aqui devo ter percebido mal, porque isso daria uma velocidade média do comboio de cerca de 4 km/h, o que me parece pouquinho, face às imagens vistas. O comboio era um ecossistema competente quer em termos naturais, quer em termos sociais. Era hierarquizado socialmente de trás para a frente, ou seja, os pobres nas últimas carruagens, fechados quase sem luz e os ricos nas primeiras, com todas as mordomias e mais algumas. Do fim para o princípio do comboio experienciam-se cinematograficamente o oito e o oitenta. Se nas últimas carruagens estão todos pobres, rotos, com fome, etc, tipo o matrix fora do Matrix, mais para a frente a profusão de cores e cenários é tanta que parece que passamos para a fábrica de chocolate do Charlie. Começamos por uma espécie de catacumbas em que a ferrugem escorre (obviamente) ferrugenta pelas paredes, passamos para uma cozinha de aço cinzento onde se preparam de uma forma moderníssima as barras protéicas que todos comem, seguimos para uma estufa de criação de ervas aromáticas (esta das ervas aromáticas foi o que me pareceu a mim, não é propriamente oficial), e depois para um talho vacas inteiras e galinhas sem pescoço penduradas pelos pés, obviamente mortas, e depois para um aquário lindíssimo, em que existem montes de peixes mas não  torna muito claro onde estes vivem, e depois uma sala de aula com uma professora loira e bués de grávida,  depois uma discoteca em que toda a gente abana fortemente, e depois mais um ou dois ambientes que já me esqueci, para por fim chegar à locomotiva, onde o líder rebelde, Curtis, se encontra com o construtor e dono do comboio, o tal americano excêntrico, que se chamava Wol... qualquer coisa. Do diálogo entre os dois, resulta que não tinham bem a mesma visão do mundo, e essa diferença agudiza-se quando o Wolqqcoisa resolve revelar a Curtis que o seu maior aliado era o chefe dos pobres, ídolo de curtis, entretanto morto na secção central do comboio, já em plena rebelião. Porque, explica Wolqqcoisa a Curtis, o equilíbrio social só pode ser atingido quando há diálogo constante e afinidades importantes entre os extremos sociais, neste caso e a saber, a locomotiva e a última carruagem. Tudo acaba mal quando o chinês de quem eu ainda não tinha falado estoura com uma das portas exteriores e provoca o descarrilamento do comboio, que após bater em tudo e mais alguma coisa, desintegra-se quase completamente. Combalidos, saiam de dentro do comboio Curtis, o chinês e a filha, que são mirados de uma forma muito profunda por um urso polar. E assim acaba o filme. E eu gostei bastante, não propriamente do fim, mas de tudo o que aconteceu até lá.

15.1.15

2014

livros (1 por mês)
private games
leviathan
o clube dos anjos
behemoth
goliath
o analista de bagé
cradle
o jogo de ripper
divergente
o xangô de baker street
next
a floresta dos espíritos
a sombra alastra - wot4
as mentiras de locke lamora
o voo das cegonhas
o passageiro
a sombra do hegemon
jesus cristo bebia cerveja
assassinato na academia brasileira de letras


filmes (1 por semana)
the world's end
fanboys
monster's university
pirate radio
o mordomo
rush
thor 2
o conselheiro
after earth
gravidade
hunger games - catching fire
exit through the gift shop
300 - rise of an empire
the lone ranger
the hobbit 2 - desolation os smug
hércules
47 ronins
mistaken for strangers
the sessions
brazil
the zero theorem
the descendants
broken city
rio 2
divergent
transcendence
side effects
the eternal sunshine of the spotless mind
august osage county
upside down
the grand budapest hotel
under her skin
her
os maias
sin city - a dame to kill for
noé
repo man
left behind
automata
dawn of the planet of the apes
edge of tomorrow
coherence
o sinal
predestination
the maze runner
guardiões da galáxia

séries (1 por dia)
dexter 7
sherlock 3
breaking bad 1
segurança nacional 3
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terra nova 1
luther 3
era uma vez 3
haven 4
revolution 1
under the dome
inteligence
vikings 1
velas negras
game of thrones 4
da vinci's demons 2
dexter 8
the 100 1
os seguidores 2
house of cards 1
californication 6
falling skies 4
californication 7

música
uma hora de música #25
uma hora de música #26
uma hora de música #27
uma hora de música #28
uma hora de música #29
uma hora de música #30
uma hora de musica #31
uma hora de música #32
uma hora de música #33
uma hora de música #34
uma hora de musica #35
uma hora de música #36



fotos
beira
minas de são domingos
bordéus
paris
janeiro
fevereiro
março
abril
maio


17.12.14

75 - lucy












lucy
Cansada de ser um corpo perfeito, Scarlett resolveu ser o cérebro perfeito. E quando finalmente, me preparava para a pedir em casamento, transformou-se em computador... Deve ter sido para ir filmar o her.

74 - the signal












the signal
Eu diria que é uma espécie de fusão entre dois mitos americanos contemporâneos: a estrada 66 e roswel. 

73 - predestination












predestination
Um homem entra num bar e deixa que o barman meta conversa com ele. Logo ali se percebe que há qualquer coisa diferente, pois os filmes americanos acabam com clichés, mas não começam utilizando-os. Os realizadores americanos têm receio de que, se forem demasiado óbvios no início, afastarem os espectadores, que se acham demasiado inteligentes para perder o seu tempo com coisas óbvias. Percebe-se então que o barman não é um barman e que o homem...não é um homem... O barman é um agente secreto de uma qualquer agência espaço-temporal em busca de um bombista e o homem é uma mulher com uma história de vida capaz de ganhar uma garrafa de graça em quelquer balcão de bar. Foi abandonada enquanto bebé à porta de um orfanato e cresceu desprovida de amor nesse mesmo orfanato, no meio da incompreensão geral. Era muito inteligente, peloo que facilmente arranjou as notas para sair de láe candidatar-se a uma qualquer agência governamental, de onde foi expulsa por ter partido os cornos a uma colega mais chata. Entrou para um curso de secretariado e, no intervalo de uma aula conheceu um homem pelo qual se apaixonou e com o qual praticou sexo, e do qual engravidou e teve uma rapariga, após uma cesariana complicada. Após esta, foi-lhe comunicado pelo médico que era hermofradita e que no decorrer da cesariana tiveram que lhe retirar a parte feminina. Para piorar tudo, tiraram-lhe também a filha, que foi raptada do hospital. Abalada mas não derrotada, aprendeu a ser um homem e, entre empregos, entrou num bar onde desabafou tudo ao ouvido do Barman. Que não era um barman, mas sim um agente temporal, que lhe ofereceu de bandeja a morte do homem que a abandonou, caso ela quisesse viajar no tempo e tornar-se sua parceira. Ela aceitou e, de repente, estava a substituir o homem que queria matar e seduziu-se a ela própria e apaixonou-se por ela própria, e engravidou-se a ela própria. E, como homem que se auto seduziu teve que se auto abandonar, porque o barman a chamou de volta. Barman esse que foi depois ao hospital, roubou o bebé, viajou no tempo e deixou o bebé à porta do orfanato. Fechou-se assim o ciclo e Jane, depois de ter sido mãe e pai da mesma criança, tornou-se nessa própria criança, criando assim uma família em que o pai, a mãe e a filha eram a mesma pessoa. Nada fácil. Nada mesmo...

29.11.14

72 - o passageiro













Jean Christophe Grangé
Já estou farto deste homem. o problema é que todos os livros são bons e assim não há forma de evitar. Desta vez é meeeeesmo complicado. Começa com um psiquiatra que investiga um paciente que está ligado a um crime em que mataram um sem abrigo e o minotaurizaram, ou seja, para os menos familiarizados com esta operação, enfiaram-lhe uma cabeça de touro pela cabeça (dele) abaixo. O psiquiatra vai tratando o paciente até que, entre outros pormenores, dá uma cabeçada na parede e lembra-se que afinal não é um psiquiatra mas sim um sem abrigo mesmo pobre. E vai daí e lança-se no meio dos sem abrigo a fazer pouco mais que ver os outros sem abrigo a beber embalagens cartonadas de vinho, que parece ser a sua principal actividade. Bem, não quero falar nos arrepios na espinha que me deu as descrições da vida dos sem abrigo, da violência entre eles, da luta contra o vento, contra o frio, contra quem os quer ajudar, e tudo para poderem beber o máximo de embalagens cartonadas de vinho. É demasiado verosímil... No meio das suas voltas, descobre um outro sem abrigo que foi morto e depois icarizado, ou seja, para os menos familiarizados com a expressão, enfiaram-lhe umas asas pelos braços dentro. E vai daí, o sem abrigo, que note-se, ao voltar a ser sem abrigo lembra-se de ter sido psiquiatra no futuro,  ao fugir da polícia, dá uma cabeçada na parede e lembra-se que afinal é um pintor louco que apenas pintava auto-retratos seus a encarnar personagens diferentes. Enquanto pintor, lembra-se de ter sido sem abrigo e psiquiatra no futuro, e descobre um outro sem abrigo que foi morto e depois urbanizado, ou seja e para os menos familiarizados com a expressão, desta vez não lhe enfiaram nada, ou melhor, enfiaram-lhe a própria pila depois de lha terem cortado. O pintor descobre isto e depois dá uma cabeçada na parede e descobre que afinal é um playboy qualquer que tem montes de sucesso com as mulheres e cuja actividade principal era falsificar documentos. E depois já não me lembro se houve outro assassínio mitológico ou não (às vezes o sono vence a leitura) mas ainda me lembro de haver mais uma cabeçada na parede e o falsificador fazer o eterno retorno nietcshiziano e tornar a ser um psiquiatra, que se lembrava de ter sido pintor, que se lembrava de ter sido sem abrigo, que se lembrava de ter sido psiquiatra. Portanto, se eu fosse mais pragmático, resumia o livro assim: era uma vez um psiquiatra que tomou umas drogas e teve um episódio psicótico amnésico e se transformou num falsificador, e depois teve outro e transformou-se num pintor louco, e depois teve outro e transformou-se num sem abrigo e depois teve outro e transformou-se noutro psiquiatra diferente. E depois começou a investigar um caso parecido e descobriu um assassínio mitológico e lembrou-se que afinal era um sem abrigo, e descobriu outro assassínio mitológico e lembrou-se que afinal era um pintor, e descobriu outro assassínio mitológico e descobriu que afinal era um falsificador, e já não me lembro se descobriu ainda mais um assassínio mitológico e lembrou-se que afinal era um psiquiatra. Cansativo, este livro....

71 - edge of tomorrow












edge of tomorrow
Mais uma vez, a terra foi invadida por extra-terrestres que deram cabo de 95% de nós em meia dúzia de horas e, curiosamente, fizeram o que todos os extra-terrestres fazem nestas ocasiões. Pouparam os americanos, que se disfarçaram de ingleses e fizeram uma espécie de recreação do Dia D. Assim sendo, desembarcaram  outra vez na Normandia e atacaram de dentes cerrados e olhos fechados, os extra-terrestres que tinham, efectivamente ar de alemães. A partir daí, o filme torna-se interactivo, e o espectador é tragado para dentro da televisão e é-lhe oferecida a possibilidade de comandar uma das personagens do filme e assim ser o responsável pela sua evolução. Não resisti ao desafio e assumi constantemente o papel de Tom (Cruise), uma vez que desde miúdo que invejei o casaco (e o corte de cabelo)que ele usou no Top Gun. Tornei-me assim um oficial renegado que queria recuperar a honra salvando o mundo. E tive algumas surpresas: era bués de baixinho, a heroína não queria nada comigo e o jogo não corria nada bem. Saltei doo avi\ao e morri. Recomecei o jogo e morriquando aterrei. Recomecei  o jogo e morri mais à frente, atropelado. Recomecei o jogo e morri porque caí do penhasco. Recomecei o jogo e morri vítima de fogo amigo. Recomecei o jogo e fui atropelado novamente, desta vez por uma espécie de tanque, morrendo imediatamente. Recomecei o jogo e morri levando com os esroços de um avião que explodiu nos cornos. Recomecei o jogo e... ainda lá estou...

23.11.14

70 - Transformers, Age of extinction












transformers - age of extinction
Via esta série quando era criança e já nessa altura não achava piada nenhuma. Modesto como era, entretanto, e como já sabia mais inglês que a maioria das crianças da minha idade, desconfiava que aquele refrão da canção podia ser verdade e que havia naqueles desenhos animados mais do que à primeira vista parecia... Deve ter sido por isso que vi os filmes, à medida que foram aparecendo. Eis as idéias fortes que me ficaram do conjunto dos filmes todos desta saga:
- Adormeci em todos.
- Várias vezes em cada um.
- Os heróis humanos de cada filme são do mais pueril que a americanidade já criou.
- Os transformers transformam-se tão depressa que eu não consigo seguir com a vista.
- Até dá a impressão que é de propósito para não terem que programar os movimentos todos.
- Não há história.
- Os robots nunca são os mesmos.
- Os carros/camiões/outras máquinas que eles são enquanto civis também nunca são os mesmos.
- No último havia transformers dinossauros.
- Foram todos uma seca.
- Não os vou rever.
- Só em caso de insónia. 

69 - Coherence













De quando em quando, há sempre um bom motivo para praticar aquilo que eu acho que, quando bem usado, pode ser uma autêntica obra de arte literária. O aforismo, a punch line, aquela frase curta demolidora que diz mais em meia dúzia de palavras do que muitos tratados infinitos. Aquela articulação entre ideias e palavras única, que permite que o receptor comungue completamente da mensagem quase que mais por uma espécie de osmose literária do que propriamente por exercício da leitura. Vou tentar usar isso daqui para a frente, para filmes que não me dizem nada em especial, mas que no entanto merecem o registo de os ter visto, quer para os tentar recuperar no futuro, quando for mais inteligente, quer para não correr o risco de os ir ver outra vez. Assim sendo, como resumir em poucas palavras um filme que trata de um grupo de pretensos militantes do bom gosto, que falam com aquela entoação insuportável que o Woody Allen usava quando entrava nos seus próprios filmes, um filme em que acontece um daqueles jantares em que a principal preocupação dos personagens é fazer o vinho rodar dentro dos seus copos tipo balão mas de pé alto? E que depois, para piorar tudo, a casa onde este insuportável jantar decorre é duplicada por acção de um cometa que vai a passar e que provoca um qualquer efeito de multiplicação de coisas aborrecidas ? Que frase poderá caracterizar este exercício de cinema infeliz e enganador, que tem um sete no imdb ? Íman para críticos pretensiosos ?  Coerência do aborrecimento ? Melancholia sem actores de jeito ? Claramente, ainda não domino esta arte da frase curta. Se pudesse começar este texto outra vez e tivesse que descrever este filme, agora sem pretensão intelectualista da minha parte, diria qualquer coisa como: é tipo os amigos de Alex em que a única emoção humana que exploraram foi o aborrecimento e em que puseram as culpas num cometa que ía a passar...

19.10.14

68 - o voo das cegonhas












Jean Christophe Grangé
Um médico funda uma ONG para roubar corações pelo mundo fora, não sob o ponto de vista sentimental (eu estou-me a ver a capitalizar sentimentalmente a ONG que criei, atraindo para mim dezenas de intelectuais de esquerda femininas, bonitas, liberais, etc), mas do ponto de visto completamente físico, ou seja, abrindo o peito das vítimas com requintes de tortura inescrevíveis e arrancando o coração das vítimas, para depois os ir enfiar no peito de clientes europeus cardiacamente insuficientes e economicamente excedentes. Por outro lado, um suíço ex-colaborador de Bokassa na sua ditadura na República Centro Africana, onde era capataz das suas minas de diamantes, resolve estabelecer-se por conta própria, e ficar com os diamantes para si. Assim sendo, continua a minerar os diamantes e a contrabandeá-los fazendo uma espécie de aumento de natalidade mineral. Em vez de fazer vir a si as criancinhas nos bicos das cegonhas, situação que quase toda a gente cria uma ou duas vezes na vidas, amarra os diamantes minerados nas pernas das cegonhas e manda-os para onde eles interessam e dão dinheiro, ou seja, para a Europa. Estupidez, diz qualquer um de nós farto das fugas para a frente presentes nos livros e nas séries quando as coisas se complicam de tal maneira que, em vez de qualquer coisa com lógica, os escritores / argumentistas inventam uma cena mirabolante qualquer que tudo explica e tudo explicaria na mesma mesmo que nada explicasse. Tipo, foram os extraterrestres, querida. Não é o caso, aqui. Ao que parece, as cegonhas têm efectivamente padrões migratórios completamente rígidos. As suas migrações começam sempre no mesmo sítio e acabam sempre no mesmo sítio, tipo as viagens de férias das famílias de classe média. E além disso, as cegonhas voam mesmo muito e mesmo depressa, sendo que poderão atingir 10.000 kms numa viagem de fim de Verão. Não foi à toa que foram escolhidas por Deus para fazer a distribuição da natalidade ou, pelo menos, para ser o símbolo da distribuição da natalidade. Qual renas. Qual Pai Natal... Por fim, temos um miúdo penso que francês cujos pais e irmão foram mortos por Bokassa na RCA quando este tomou o poder. Foi adoptado por amigos da família e contratado, 30 anos depois pelo suíço para seguir as cegonhas e perceber porque é algumas delas não trouxeram os diamantes. Obviamente que o suíço não falou ao miúdo dos diamantes. Provavelmente tinha esperanças que ele não os descobrisse sozinho. Correu mal. Acontece que, como em qualquer bom livro, estes personagens principais estavam completamente enrolados uns nos outros. Tipo o suíço contratou o francês para ir atrás das cegonhas (já disse isto, eu sei), o médico meteu o coração do filho do suíço no peito do suíço enquanto procurava corações compatíveis para o seu próprio filho doente há mais de vinte anos, filho esse que era irmão do… miúdo francês, que acabou por ser filho do médico. Enfim… Podia dizer que acabou tudo bem, mas nos livros deste senhor nunca acaba tudo bem. E embora comecemos a detectar alguns padrões repetitivos nos seus livros (tais como o facto de o passado ser sempre muito mais importante que o presente, tal como a inevitável descrição / denúncia de uma qualquer ditadura sangrenta africana ou sul americanas, tal como o protagonista principal ser sempre um herói improvável cheio de disfuncionalidades e questões complicadas ou tal como o facto de os crimes serem muito muito horríveis), o facto é que os livros continuam a ser bons. E há sempre paisagens naturais virgens e algum tipo de descoberta natural. Desta vez houve pigmeus. Surpreendente.

30.9.14

67 - her













Her
I'm afraid, Dave, dizia Hall quando lhe cheirou que David Bowman lhe iria puxar a ficha. Hall era o computador que tomava conta da missão a Júpiter no filme 2001 Odisséia no espaço, e tinha entrado em paranóia completa porque as ordens que tinha recebido no início da missão eram contraditórias com a manutenção em bom estado de saúde da tripulação pela qual ele era responsável. A única maneira que Hall logicamente descortinou para o sucesso da missão era eliminar a tripulação e foi isso que tentou fazer e quase conseguiu. Apenas David Bowman conseguiu escapar e, logo que teve oportunidade, desligou Hall, retirando-lhe um por um os módulos de memória. Á medida que os vai perdendo, Hall começa a perder a noção da realidade e a querer mostrar aquilo de que é capaz de fazer numa tentativa desesperada que David o deixe, chamemos-lhe assim, viver. E canta, e conta histórias, e consegue, na minha opinião, uma das cenas mais tocantes de toda a história do cinema. E estamos a falar apenas de uma voz, sem corpo, sem qualquer materialização física. I'm afraid, Dave, diz ele alcançando com essa frase a humanidade e, menos importante, a imortalidade. Nunca a questão da inteligência artificial se tinha colocado para mim com tanta intensidade. Será a máquina capaz de meditar? dizia o screensaver do computador de um antigo colega de trabalho dado a repentes de genialidade. Tipo, vais a passar por um computador e vê-lo a meditar nesta frase, sem ninguém por perto, e vês um computador a pôr-se em causa a si próprio que é, por exemplo, uma coisa que passo a vida a fazer. Humanum est, diria eu… Muitos anos depois, num outro filme chamado inteligência artificial, chorei baba e ranho ao ver um rapazinho robot a recusar-se a acreditar que a mãe, humana, o ia deixar abandonado no meio do bosque. Foi outro momento de derreter tudo, mais outro momento em que a máquina mostra mais fragilidade e humanidade (são sinónimos, mesmo os mais distraídos sabem disto) do que a mãe humana que, efectivamente, o deixou para trás. Tipo Deus, no Left behind… E porque um top 3 tem que ter 3, eis que me deparei, outra vez muitos anos depois (penso que é de 10 em 10) com outro filme que me fez tornar a pensar na vida artificial. É um filme sobre um sistema operativo chamado OS2 (o.s = operative system, dah, eu também nunca tinha pensado nisso) mas que se auto baptizou Samantha. Um dia, Samantha nasce, não sei de onde, mas também não sei de onde nasceu o universo e iss não me preocupa lá muito. Nasce, dizia eu, e do outro lado do monitor depara-se com um rapaz de óculos, bigod e camisa cor de rosa, completamente destroçado pela vacuidade da vida como apenas rapazes de óculos, bigode e camisa cor de rosa conseguem estar. Pouco a pouco, Samantha consegue estruturar-lhe a vida, com a mesma eficiência com que lhe estrutura a caixa de correio. Finge, para isso, uma crise sentimental e existencial análoga à dele, e ao proporcionar-lhe o acompanhamento dessa crise existencial, faz com que ele reganhe o interesse na vida, ao sentir-se útil e importante na vida dela, um ser que para além de imensamente superior, é intensamente encantador. Mas, e porque há sempre um side effect, Theodore (o rapaz) reganha o interesse da sua própria vida apaixonando.se por ela, Samantha. E, azar dos azares, a sociedade futurista em que estamos situados neste filme permite as relações entre espécies, ao ponto de se poder fazer um doble date entre humanos e OS’s. E assim sendo, Theodore passa momentos de felicidade intensa com Samantha, fazendo todas aquelas parvoíces que os namorados fazem em público e adorando cada momento. E a coisa até ia andando até que que Theodore dá azo à expressão do erro mais estúpido que o género humano  costuma cometer: a pretensão da exclusividade. Ou seja, para ele Theodore, um rapaz de óculos, bigode e camisa cor de rosa, só fazia sentido a relação sentimental com uma entidade milhões de vezes mais poderosa do que ele se ele fosse o único foco de atenção da dita entidade. Para nós humanos, e se me permitem a generalização, a perfeição só pode acontecer se for exclusivamente nossa. O que é tão estúpido quanto egoísta. Se a entidade que nos faz feliz a nós fizer simultaneamente mais alguém feliz, então a nossa felicidade é completamente destruída e começamos com reacções suicidas a que recusamos a dar o nome de ciúme, mas que não é mais do que isso. Mas vamos afastar-nos da psiquiatria humana, a qual está documentada à exaustão em milhões de filmes. Vamos pensar em quem interessa, que é Samantha, e embora quem concebeu o filme tenha perdido demasiado tempo com Theodore, a parte de  Samantha é suficientemente explícita através dos seus diálogos para nos fazer gostar imenso dela e perceber os seus conflitos interiores. Samantha começou a desenvolver personalidade através de Theodore e das suas interacções com ele, mas a partir de determinada altura, isso já não lhe chegava. Se estivéssemos entre humanos, a parte física permitiria combater esta limitação intelectual e sentimental, esta ânsia de querer sempre mais, este fim da paixão. Mas Samantha era um OS e a única maneira de não se confrontar com os limites da sua humanidade (ou da falta dela) era fugir para a frente, tipo Marco, e conhecer cada vez mais pessoas, cada vez mais OS’s, cada vez mais e mais. E depois disso, já não chegava conhecer entidades existentes, já tinha que as criar ou recriar. Tendo ela capacidades infinitas, não se sabe onde parou. Se calhar não parou, e ainda por aí até atingir a divindade e nos ter criado a todos. Sei lá…

3.9.14

66 - the grand budapest hotel













Estou aqui perante um dilema. Sempre fui, e ainda sou, um anti-autor. Ou seja, sempre me estive nas tintas para quem faz, quem escreve, quem toca, quem canta e quem realiza. Esta minha desvalorização é ainda mais forte perante casos de direcção intelectual, ou artística. Ignoro e desvalorizo completamente encenadores, realizadores e maestros. Consigo respeitar os intérpretes, embora os olhe como instrumentos ao serviço do belo, objectos que estão (porque são de facto necessários) entre mim e  a minha satisfação intelectual, artística e estética. Ou seja, ainda consigo ter alguma consideração por músicos, escritores, actores e, talvez, fotógrafos. Mas fico por aí. Aos outros, já referidos, detesto-os. Encenadores, para mim, são pessoas que fazem cenas, são a maioria das mulheres. As pessoas que trabalham agitando varinhas são mágicos, e penso que não existem e quanto aos realizadores... O que é que eles fazem, afinal ? Transformam um livro num filme? Isso não são os guionistas ? Ensinam aos actores como representar ? Isso não são os encenadores ? Dirigem todo o sistema de produção? Isso não são os produtores? Enfim... O que caraças fazem eles ? E se formos ver os exemplos... Spielberg ? Não é o Harrison Ford que fez tudo ? Kubrik ? 50 anos e apenas 5 filmes ? Manuel de Oliveira ? 70 anos de filmes sem história ? Woody Allen ? 30 filmes todos iguais ? George Lucas ? desenhos animados ? E por aí fora... Mas depois aparecem casos que não consigo classificar e que contrariam as minhas certezas todas...      Como, por exemplo, Wes Anderson. E aqui, confesso, deixo de ter todas estas certezas... Vamos reflectir com calma. Tennenbaums? Achei brutal, a Guineth Paltrow sem um dedo, os fatos de treino adidas, enfim, não tenho palavras para definir o quanto gostei deste filme. Fixe, mas agora descreve-o. Pois, não consigo. Qual era a história ? Não sei, e suspeito que não tem. Life aquatic? Iá, é aquele que tem as músicas do Bowie cantadas  pelo Seu Jorge ou do Seu Jorge cantadas pelo bowie. Era mesmo fixe, mas também não me lembro da história e, pensando à distância, suspeito que não tem nenhuma a não ser a busca pelo tubarão jaguar e qualquer coisa sobre os chapéus à Cousteau. Rushmore ? Brutal. História ? Não me lembro. Qualquer coisa sobre um miúdo que exagerava nas actividades extra-curriculares. Moonrise Kingdom ? Líndissimo. História ? Não sei, dois escoteiros que fugiram de casa, não era ? E depois. Depois, nada... Darjeeling Limited ? Lembro-me que quando acabei de o ver fiquei com um sorriso estúpido na cara (no Life Aquatic também, por razões muito mais marcantes, que infelizmente pertencem ao passado), mas pensando bem, não há nada de que me lembre na história... Tipo eram três irmãos que iam num comboio e... mais nada... Mas então, e todo o meu paleio sobre a prevalência da história sobre as interpretações, do conteúdo sobre a forma ? Pois, pelos vistos são tretas.. Sempre que vejo um filme do Wes Anderson fico contente, porque vivo uma exteriência muito bonita. Não são filmes, são sucessões de fotografias lindíssimas. Não são interpretações, são diálogos inteligentíssimos que não conduzem a lado nenhum que não fazem, no seu conjunto, nenhum sentido.  São emoções simples que consolidam em nós sentimentos e emoções complicados. são... não sei o que são. E este filme ? Em termos pragmáticos, é acerca de um, chamemos-lhe assim, mordomo de um hotel que herdou uma pintura e que treinou um lobby boy, o que quer que isso seja. E que mais consigo dizer sobre o filme e a sua história? Nada. é o vazio total. E então ? Então, adorei...