22.9.26
125 - data center
18.9.26
124 - dtf st. louis
Esta série, como é que posso dizer isto de uma forma honesta, incomodou-me. As personagens incomodaram-me. Olhava para elas e não gostava de que elas estavam a fazer, a sentir, a dizer, a transmitir. Não por falta de qualidade da série propriamente dita, mas exatamente por causa das personagens, das quais não gostei enquanto... pessoas. E logo aí a série consegue uma coisa que já não sentia há muito tempo, que foi esquecer que é uma série e ficar verdadeiramente ligado às pessoas que estavam a viver aquelas vidas na minha televisão. O princípio mais importante do telespectador, ou do assistente é a suspensão da descrença. Seja qual for o enredo, sabemos que é uma história e não sentimos as coisas que se estão a passar organicamente porque sabemos que não existem. Estes trocaram-me as voltas e conseguiram que me irritasse com o que estava a ver, com as personalidades das personagens. Detestei-os a quase todos, embora com o passar dos episódios alguns se fossem redimindo ligeiramente. A mulher quase autista que não dizia uma frase consequente e só se preocupava com pormenores domésticos insignificantes mas que ainda assim tinha um qualquer encanto no olhar que fazia com que fizesse sentido a tenção que lhe devotavam. O filho também semi autista (mas este provavelmente a sério) que atirava pedras à casa e usava um colete verde irritante e que não fazia mais nada a série toda. O apresentador do tempo, inútil por definição (como ele próprio admitia) que era aquela americano insuportável que fala aos arranques, que só diz coisas óbvias, que seduz a mulher do amigo com quem faz amizade, que anda de bicicleta horizontal e de t-shirt cor de rosa, que tem um corpo escanzelado e que está sempre a sorrir numa cara cheia de rugas com um cabelo bastante ridículo. A polícia negra que é positivista pornográfica, ou seja, que usa a pornografia na sua vida sexual, que nos diz isso, e passa o resto dos episódios a dizer meias frases que em nada contribuem para a realização do seu trabalho, que seria a resolução do crime. E a personagem pricipal, vinda do starnger things, grande e gordo, sempre desconfortável, sempre à procura de algo que o justifique, que não paga os impostos, abandona uma carreira em troca de ser um tradutor gestual coreográfico, com uma bonomia insuportável perante todas as asneiras que diz e as coisas que não faz. Que se realiza no affaire que a mulher tem com o metereologista a quem apoia e incentiva no exercício da infidelidade, sempre sorrindo estupidamente como se isso fosse mesmo bom. Que acha natural que lhe façam um seguro de vida e lhe paguem as propinas do filho que afinal não é seu. E sempre com um sorriso insuportável de vaca estúpida, como se fosse tudo normal e nós é que não. Porra, a mediocridade do personagem era tanta que conseguiu mexer comigo. E lá está o mérito... porque era real, porque há gente assim e porque eu não tive que suspender a descrença para absorver aquela mediocridade toda... Porra... irritou-me mesmo... nunca detestei tanto uma série tão boa... preferia mesmo não ter visto.
16.9.26
123 - Zona Industrial
10.9.26
122 - Compactacao
3.9.26
120 - o arquiteto
Era uma vez um arquiteto cansado por uma longa carreira de projetos que nunca tinham saído do papel onde eles os desenhara. Como todos os arquitetos era vaidoso e não conseguia dissociar o seu bem estar pessoal com o sucesso profissional ou, neste caso, a falta dele. Dedicou muito tempo a tentar perceber porque o seus projetos não eram nunca escolhidos e chegou à conclusão que a culpa não era sua. O sucesso dos projetos eram inevitavelmente ditado pelas opiniões de pessoas cujo principal objetivo era dizer mal, e tentar manter o seu status quo, evitando a ascensão de outros, ainda que talentosos. Depois de muito pensar concluiu que o sucesso estava à distância da aniquilação da sua individualidade. Concebeu assim um edifício que de seu nada tinha que não fosse a ideia. Ideia que era fazer com que cada pessoa que contemplasse o edifício visse aquilo de que mais gostava no mundo, ou seja, que se visse a si próprio. Ao longe, o edifício era invisível. De perto, devolvia a imagem de quem o contemplava, suscitando imediatamente aprovação e admiração. E assim aconteceu. O arquiteto finalmente teve sucesso, mostrando ao mundo aquilo que o mundo queria ver. Foi uma ideia arrojada que, no entanto, apenas pode ser usada uma vez. O que lançou o arquiteto numa depressão ainda mais profunda porque pior que nunca ter tido sucesso é ter uma vez e nunca mais lhe sentir o sabor. A anulação do "eu" em favor do agrado imediato do público trouxe uma satisfação efémera. Ao conceber a obra definitiva baseada nesse truque conceptual, o arquiteto esgotou a sua fórmula e fiquei exposto à dor de ter alcançado o aplauso sem ter revelado nada da sua verdadeira essência. Ainda hoje pensa se valeu ou não a pena. Vaidoso como é, sabe que não...
2.9.26
119 - O século dos imbecis
Nunca li nada do Valter Hugo Mãe. Ouvi-o falar a vivo duas vezes e na televisão outras duas. Gostei muito. Coloquei-o numa prateleira com o Gonçalo M. Tavares e com o Afonso Cruz- Uma prateleira de escritores que produziam livros muito bons e eram discretos e que de alguma forma se tinham afastado dos temas tradicionais portugueses, que não consigo sistematizar exatamente quais são mas sinto a nuvem e o clima de depressão e tragédia que eles projetam. Estava assim com grandes expectativas relativamente a este livro, principalmente depois de o ouvir na televisão a abordar com a jornalista dos olhos assustadores questões relativas ao excesso de informação vs. falta de conhecimento, da desumanização que isto provoca, da falta de um substrato de cultura que todos deveríamos ter e quase nenhum de nós tem. Expectativas que aumentaram ainda mais quando o livro me chegou às mãos embalado em plástico. Certo que é anti-ecológico, mas dava a sensação que o livro iria era tão bom que não se podia correr o risco de as boas ideias caírem do livro aquando do seu manuseio. Embalado de um otimismo pouco característico no início de um calhamaço de 500 páginas, mergulhei sem reservas na leitura, não demorando muito para as reservas que não tinha aparecerem à desfilada.. Não vou resumir o livro, não só porque não é este o objetivo como também corria o risco de o resumir em 5 linhas. Mas confesso que fiquei muito desiludido. O livro é uma espécie de Cidade e as Serras mas sem nenhum do sentido de humor que o Eça tinha.. Fala da vida de um barão, dentro de um solar em que, literalmente, nada se passava. Nada mesmo. Depois chega a baronesa, já casada, e nada acontece. Nada. Nem mesmo sexo. Mergulhamos à exaustão no interior das cabeças dos personagens secundários mas isso não traz grande interesse, pois por serem secundárias nada acrescentam à história que as suas disfuncionalidades rurais. E se calhar o problema é esse, o de estarmos à espera de uma história, que como já disse acima é praticamente inexistente e resumível em 5 linhas. Passo a demonstrar:
- Agiulfo, o barão, fica mais inteligente quando a cota altimétrica a que se encontra aumenta e mais estúpido quando diminui;
- Um dia casa-se a não faz nada com a mulher, que disputa territorialmente esse nada com uma criada que se considera a verdadeira dona de tudo;
- Um dia Agiulfo desce demais e morre. Deixa um cofre fechado que a baronesa, cujo nome não sabemos, não consegue abrir e assim aceder às riquezas supostamente existente.
- A criada carece de sexo, existe uma revolucionária lésbica, uma mulher com algo entre as pernas, dois gémeos assassinos e mais alguns personagens ainda mais secundários.
- A criada salva tudo mediante uma espécie de coletivização da propriedade e venda do seu imobilizado. Algures é violada e não desgosta.
1.9.26
118 - Dorian Gray
Em Nápoles, no bairro espanhol, existe a parede Gray, não por ser cinzenta mas porque tinha as mesmas características que o quadro de Dorian. Hoje, já não tem nada...