22.10.26

140 - medidor de liberdade

 


São conhecidas as influências francesas na independência e formação dos Estados Unidos. Talvez mais importante que a ajuda militar efetiva durante a luta pela independência tenha sido a instilação das ideias que constituem a declaração da independência americana na cabeça dos pais fundadores da união. Seja como for, se não fosse a França a história teria sido diferente e, para os americanos, provavelmente bastante pior. Políticos experientes, os franceses mantiveram uma monitorização permanente sobre o estado da democracia americana. Através da contratação de um qualquer gabinete de magia que agora não interessa, colocaram uma réplica da Estátua da Liberdade ao lado da Torre Eiffel, em Paris. Essa réplica iria crescendo à medida do desenvolvimento democrático americano, mas também diminuindo caso a coisa começasse a andar para trás. Claro que na cabeça dos franceses o máximo seria sempre a altura da Torre Eiffel, uma vez que a democracia e a liberdade da França são valores adquiridos e inquestionáveis e serão sempre  referencial de comparação máximo que qualquer país poderá atingir. Esta foto foi tirada algures em 2018, e mostra já uma diminuição clara da altura a Estátua da Liberdade, coincidido com a vigência de um presidente republicano. Fui a Paris novamente no início de 2026 e não consegui encontrar a Estátua, o que quer dizer que deve ter diminuído para dimensões inéditas. Disseram-me esta semana que o governo francês estava a tentar desmobilizar a magia, provavelmente com medo que a Torre Eiffel comece a diminuir...



21.10.26

139 - A reforma de EO


EO era um burro que foi biografado cinematograficamente por um realizador polaco chamado Jerzy Skolimowski. Atuava num circo ao lado de uma rapariga chamada Kasandra, uma jovem artista que demonstrava por ele um afeto e carinho genuínos. Um dia são descobertos por ativistas dos direitos dos animais e EO foi despedido para acabar com a exploração a que estaria sujeito, sendo assim separado da única pessoa que alguma vez lhe deu amor. Começa assim uma viagem pela Europa, passando por diversas experiências,. Trabalha no apoio a crianças num centro hipoterapéutico, torna-se acidentalmente a mascote de um clube de futebol que é depois atacado pelos casuals do clube da aldeia rival, torna-se companheiro de um motorista de TIR que acaba assassinado numa estação de serviço, e acaba hóspede de uma condessa italiana e seu respetivo padre de estimação, algures em Itália, penso eu. Num desfecho tragicómico e melancólico do filme, EO é transportado num camião junto com um rebanho de vacas e é conduzido para o interior de um matadouro industrial. Tudo levava  a crer que a história ia acabar mal. Mas aqui a natureza relembrou-nos que os burros são inteligentes e que os homens são burros. EO convenceu os funcionários que era um burro de competição, vencedor de várias corridas no mercado ilegal de corridas Inter animais da Europa de leste. Os empregados do matadouro viram nisto uma oportunidade de ganhar dinheiro e levaram EO ao aeroporto, com o objetivo de voarem para a Roménia para participar nos mundiais clandestinos de velocidade equina. A partir daí foi fácil. EO despistou-os facilmente e apanhou um outro avião qualquer, fugindo assim para sítio incógnito onde poderia finalmente gozar uma reforma feliz. Encontrei-o algum tempo depois, na Ilha de Maio, em Cabo Verde, onde era o único burro da Ilha. estava bronzeado e feliz. 



15.10.26

138 - Nessie

 


Na mitologia gaélica ancestral — , as águas escuras e profundas do Lago Ness eram tidas como a casa de um Kelpie ou Each-Uisge, um demónio aquático metamorfo. A tradição oral das Highlands dizia que esses espíritos das águas eram atraídos ou hipnotizados pelo tom vibrante da gaita de foles (Highland Bagpipe). Os gaiteiros de clãs locais tocavam junto à margem do lago para acalmar a fera e garantir uma travessia segura para as embarcações de pesca ou de transporte. Acreditava-se que o som da gaita limpava a área de maus espíritos e impedia que a besta aquática emergisse para arrastar homens ou cavalos para as profundezas. Com a disseminação da idéia da existência de Nessie, já no século XX, verificou-se uma afluência mediana de turistas que, ao longo dos anos foi crescendo consideravelmente. Alertados por esse facto, o governo escocês viu aí uma hipótese de negócio e promoção do país, um, diríamos assim, vector de desenvolvimento turístico muito apetecível. Vai daí foi criada uma comissão multidisciplinar para recuperar o poder da gaita de foles,mas com o intuito de atrair o monstro, e não mantê-lo calmo no fundo do lago. Musicólogos, zoólogos, estudiosos do sobressaturar, a redacção do canal História e elementos de outras áreas pertinentes foram chamados para descobrir a melodia perfeita, mas mas não incluiram na execução dessa melodia nenhum gaiteiro. Acharam que este seria apenas o executor e a sua presença no processo de produção poderia ser contraproducente. Por essa ou outra razão, o plano ainda não resultou. Ma a teimosia dos escoceses é lendária e ainda hoje a imagem do gaiteiro vestido com kilt a tocar nas ruínas do Castelo de Urquhart, com o Lago Ness em segundo plano, tornou-se um dos símbolos visuais mais fortes da Escócia. Os turistas passam de barco, ouvem a melodia e durante alguns segundos esperam ansiosamente que Nessie possa aparecer.Logo de seguida, perdem a paciência e instagramam a sensação, o que já não é mau. Confesso que apenas tirei a foto e esperei por Nessie, pois quando lá estive ainda não havia instagram. Alguns anos depois, alguém teve a ideia de fazer a segunda parte do Skyfall nas Terras Altas, e o plano do governo escocês resultou na perfeição...

                                                                                                                                    Escócia, 2011.


13.10.26

137 - Pégaso

 


Pégaso, nascido do sangue da Medusa quando  esta foi decapitada por Perseu nunca se conformou em ser apenas um escravo de Belerefonte, que o domesticou com umas redes de ouro fornecidas pela deusa Atena. O seu sonho era  fazer parte da carruagem de Sélene, o veículo celestial que percorre o céu noturno para iluminar o mundo enquanto a humanidade dorme. Pégaso tinha um coração de ouro e adorava a ideia de poder ajudar a transmitir algo de bom ao mundo. Tivesse nascido mais tarde e o seu sonho ser uma das renas do pai Natal, tarefa consideravelmente mais fácil, porque nada na mitologia grega o é. Todos os dias Selene, depois da sua irmã Eos e do seu irmão Hélios terminarem o su percurso diurno e mergulharem no oceano ocidental,   banhava-se nas águas do oceano , destia as suas roupas reluzentes (há quem diga que  eram transparentes) e acoplava os seu cavalos à carruagem. Ascendia ao céu a partir do oriente, guiando a carruagem até ao ponto mais alto do firmamento, derramando a sua luz e governando as fases da Lua. Depois de Belerofonte ter concluído todas as façanhas impostas pelo rei Lóbates, quando já se conheciam bem, Pégaso confidenciou o seu desejo e Belerfonte, agradecido por todo o serviço de Pégaso, resolveu ajudá-lo e levou-o a  um sítio onde sabia que a lua ia passar. Chegados lá, disse a Pégaso para comer a lua, que assim fez, colocando o mundo  completamente às escuras durante 3 noites. Selene procurou desesperadamente pelo seu astro prateado, julgando que o irmão Hélios lho tinha escondido num ataque de humor negro. Quando Selene finalmente encontrou Pégaso e Blerofonte no cimo do monte, viu o cavalo deitado de costas, com a barriga redonda, a emitir um brilho suave e prateado pelos poros. Apreciando  o coração nobre do cavalo alado e percebendo que seria muito mais prático engatá-lo à carruagem do que esperar que ele digerisse a Lua), Selene aceitou-o imediatamente como a sua montada de honra, despedindo sem justacausa os dois anteriores. A partir dessa noite, as fases da lua passaram a ser reguladas pela digestão de Pégaso. Quando Pégaso tinha uma digestão mais difícil, a Lua minguava até desaparecer por completo; quando finalmente conseguia relaxar após uma boa corrida pelo firmamento, a Lua cheia brilhava em todo o seu esplendor prateado. com o su brilho mais suave, porque passou a ser filtrado pela bondade do coração do cavalo alado. Não há maneira de obter a confirmação oficial, mas penso que terá resultado e Pégaso gnhou asas e passou a fazer parte do carro de Seléne. Foi mau para as crianças do mundo, que perderam assim alguém que iria acelerar consideravelmente a distribuição de prendas no Natal.


9.10.26

136 - a última fatia

 


Vitor Emanuel teve um sonho em que viu na unificação de Itália o preenchimento da peça que faltava no seu próprio enigma pessoal. Era a última peça de um puzzle por completar., o último queijinho do Trivial Pursuit, a fatia que faltava para tornar a Itália na pizza suprema da europa e do mundo.Como era supersticioso e tinha algum poder, resolveu ser a peça que unificou o país. Em Nápoles, a capital do Reino das Duas Sicílias, governado pela dinastia dos Bourbons, e onde a população sentia um enorme alheamento e ressentimento em relação ao processo de unificação, fizeram--lhe uma estátua colocada na rua de forma a celebrar esse sonhos. Os intelectuais dizem que erigir monumentos ao rei nas grandes praças de cidades do Sul era uma estratégia deliberada de consolidação do poder central e de imposição dos símbolos da nova Itália unificada. Eu acho que os napolitanos fizeram a estátua neste enquadramento porque não concebiam a ideia de uma pizza incompleta.

(Nápoles, 2018)




7.10.26

135 - Ormuz

 


Para evitar Ormuz,  vários países  resolveram alargar os seus estreitos.

(Argélia, 2015)

6.10.26

134 - a corrida das gárgulas

 


Quasimodo nasceu disforme e, talvez por isso, foi abandonado nos degraus da catedral de Notre Dame, não se sabe por quem Foi adotado por uma inteligência clerical chamada Claude (era o arquidiácono de Notre Dame)  e passou grande parte da sua adolescência a trabalhar como o sineiro. O seu trabalho era assinalar o tempo de 15 em 15 minutos, de maneira a que a população soubesse sempre que horas eram. Deveria também, convocar para a oração, assinalar as avé-Marias e tocar a defuntos sempre que tal era necessário. Fazia ainda parte das suas funções a verificação contínua das estruturas de madeira, martelos, cordas, roldana e dos sinos propriamente ditos. Um dia, como é sabido, conhece a cigana Esmeralda e a sua perceção da vida muda radicalmente. A qui as fontes divergem. É inquestionável que se apaixonou por ela, mas não se sabe se foi a paixão que o levou a mudar a sua vida ou se foi directamente a influência de Esmeralda que o fez trilhar caminhos menos convencionais. A verdade é que Quasimodo mudou radicalmente e ficou obcecado por Esmeralda, fazendo tudo e mais alguma coisa para a conseguir conquistar. Já na altura era necessário dinheiro para fazer as coisas acontecerem e Quasimodo começou a usar a catedral como ferramenta para o enriquecimento e, consequentemente, como chave para o coração de Esmeralda. Fez muita coisa na catedral. A mais interessante de todas foram as corridas de gárgulas. Estas alinhavam-se na fachada e, ao toque do sino, partiam desenfreadas para fazer a volta a Paris, que na altura era pouco mais que a Ile de la Cité. A população, naturalmente, apostava forte e Quasimodo fazia a gestão desportiva das apostas, sendo que parece ter enriquecido consideravelmente, de acordo com registos encontrados na obra de recostarão depois do incêndio de 2019. Dizem até que encontraram um tesouro na catedral e que este foi a principal fonte de financeamento da reconstrução tão rápida, o que não deixa de fazer um certo sentido poético. Embora com muita sorte ao jogo, Quasimodo continuou sem sorte ao amor. Esmeralda acaba por ser morta pelo Arquidiácono (ou a mando deste) e nunca ficou com Quasimodo. Este, embora rico, deprimiu e acabou por morrer sozinho, não sem antes ter precipitado o Arquidiácono das torre mais alta até a chão mais baixo. Nas olimpíadas de 2024 tentaram recriar-se as corridas, mas tal não foi conseguido por muitas e variadas razões. Fica a fotografia de uma das partidas mas célebres, imortalizada por um qualquer discípulo talentodo de Cartier Bresson e do seu instante decisivo.

(Paris, 2015)


133 - breakfast in Pluto

 


Nunca sei de devo abordar o filme pelo conteúdo da história ou pela significância dos pormenores. Irrita-me que a maioria das vezes os realizadores não se deem ao trabalho de conjugar as duas coisas contando-nos uma história constituída por pormenores, e não pormenores (com maior ou menos relevância) que poderão ou não vir a contar a dita história. Também não subscrevo que a história deve ser construida pelo espectador, porque isso cria uma cacofonia gritante e não haverá duas histórias iguais para o mesmo filme. A principal actividade que deveria orientar o cinema enquanto arte não deveria ser a capacidade de desmitificar os fantasmas do realizador, mas sim a compreensão da história que ele tem para nos contar. É interessante como esta fragmentação de histórias em pormenores, sensações, apontamentos e etc, que agora constitui a nossa realidade via redes sociais, já existe há muito tempo antes destas.  A colagem dos pastiches uns em cima dos outros já existe há muito, a diferença é que agora está separado em stories, posts, etc,  o que até me parece mais honesto do que pretender agrupá-las num todo coerente ( o filme) que acaba por não ser coerente. Parece preguiça... É legítimo que um artista apresente meia dúzia de borrões ou traços, mas tem que saber pintar. Dito tudo isto, continuo indeciso. Vou pela capacidade de auto-depreciação abnegada e resignada do Cillian Murphy pré Picket Blinders, ou pelo facto de dizer quatro frases no filme todo? Vou pela textura social irlandesa ou pela estupidez de todos os personagens? O filme tenta vender a ingenuidade da Kitten como uma armadura poética e surrealista contra a violência do conflito sectário e do preconceito da época. Mas há um limite ténue entre "resiliência sonhadora" e simples alheamento irritante. A textura social irlandesa dos anos 70 está lá, mas serve apenas de pano de fundo estático para uma sucessão de cenários por onde a personagem passa sem realmente ser transformada por eles. Vou pela  apreciação da androgenia e sua preponderância inevitável sobre a personalidade ou vou pela sensação de que ninguém sabe o que está a fazer rno filme? A atuação do Cillian Murphy é indiscutivelmente o motor elétrico de um carro que não sai do sítio. Ele segura o filme quase por pura força de presença e linguagem corporal —  Mas a  performance existe para servir uma história ou serve apenas para nos distrair do facto de que a história é um desfile de episódios sem grande consequência? Vou pelos 7,2 no IMDB  ou vou pelo sono que senti a ver o filme? Continuo a pensar nisto ou vou trabalhar?

1.10.26

132 - bicicletas 2

Em Amsterdão, a cidade onde há mais bicicletas do que pessoas e onde o fluxo de pedais parece um ecossistema próprio, era uma vez duas rodas da mesma bicicleta que, por engano, foram montadas em bicicletas diferentes. Gostavam tanto uma da outra que faziam com que as respectivas bicicletas  em que estavam montadas andassem sempre atrás uma da outra, completamente à revelia do que os condutores ciclistas pretendiam, transformando o livre-arbítrio humano numa mera ilusão perante a vontade da mecânica e seu afeto. Era óbvio para toda a gente que deveriam ser apenas uma bicicleta, embora fossem de facto duas. Eram conhecidas por toda a gente como a bicicleta óbvia. 

131 - bicicletas 1

 

Ele comprou a bicicleta por catálogo, com guiador em carbono, quadro em titânio, mudanças ultra-leves, selim anatómico cheio de gel, pedais de plataforma em alumínio, tudo tão leve que apenas os seus bastantes quilos a mais impediam que levantasse voo quando pedalava ao longo da marginal, vestido com camisolas de lycra e calções almofadados no rabo, e de óculos de sol com lentes estranhamente amarelas e grandes.

Ela tinha uma bicicleta enorme, antiga, tradicional e pesada, mais pesada ainda porque nela montada tinha a cadeirinha onde transportava os filhos, alternadamente, avenida acima avenida abaixo, nos levas e trazes de colégios e afins, tudo tão pesado tão pesado que apenas a sua força física incrível, tão bem disfarçada no corpo magro e até mesmo algo franzino, conseguia fazer com que o conjunto se movesse a uma velocidade considerável, que nem sempre parava nos vermelhos.

Cada um à sua maneira podiam ser considerados maluquinhos das bicicletas, o "mamarracho tecnológico" de lycra obcecado pelo peso grama a grama  versus a força bruta da rotina diária de um tanque com cadeirinha de bebé e quilos de compras. Quando se encontravam todos os dias na mercearia biológica, faziam jus à sua condição, e em vez de encherem chouriços em conversas de elevador ou de frente de máquina de café, falavam de trivialidades. Trivialidades ciclísticas. As conversas deram frutos e saiu delas uma combinação para andarem juntos, que foi evidentemente uma ideia péssima, porque o interesse em bicicletas não implica necessariamente  afinidades nos outros aspetos menos importantes da vida. Mal chegaram ao local de encontro ambos cederam à sua natureza ciclística. Ele saiu disparado pela ciclovia fora (só consegui apanhar a pontinha da roda, na fotografia) e ela ficou a falar com uma conhecida do colégio dos filhos, que passava de bicicleta por lá.. Ele não voltou para trás e ela não parou de falar.... Nunca mais  se viram.


130 - o elefante

 


Ter um elefante no meio da sala é o que acontece quando num qualquer momento, contexto, ambiente, envolvente, existe algo impossível de ignorar, algo que grita em plenos pulmões quando o que se quer é silêncio ou conversa baixa, algo que geralmente não é agradável a algumas das partes envolvidas que, por essa razão, tentam ignorar aquilo que não pode ser ignorado. Ter um elefante na sala e fingir que ele não está lá pode ser muitas coisas e ter muitas justificações, mas nunca deixará de ser estúpido. Estúpido por estúpido, é muito melhor ir ter com ele directamente e enfrentá-lo, olhos na tromba. Inevitavelmente, e apesar de todos os meus esforços para recuperar a forma, o elefante dá sempre cabo de mim e eu acabo todo partido. Teimoso, no entanto, não paro de os confrontar, porque há uma certa beleza poética no tipo que passa a vida a levar nos cornos no recreio da escola e, ainda assim, não tem medo e não desiste. Insisto portanto em desafiar a besta, que me torna a partir todo. Mas isso era dantes... e vida traz idade e a idade traz a experiência. Descobri que mesmo o elefante mais terrível não faz mal a ninguém se não lhe fizerem mal a ele. O problema do elefante no meio da sala somos nós, e nao ele. Somos nós que não sabemos lidar com ele e com o que ele evoca. Se o deixarmos sossegados, ele não nos fará mal nenhum. Assim sendo, passei a usar a ideia do Maurizio Cattelan, que vi numa exposição que ele fez em Serralves. Cobre-se o elefante com um lençol, eliminando assim o desconforto que ele pode transmitir quando descoberto. Temos é que deixar buracos para os olhos porque um elefante cego torna-se desgovernado e, quando assim, desata a fugir e leva os problemas todos da sala para o meio do mundo.Não se pode deixar de tomar muito cuidado, quando estamos a lidar com elefantes....