Existe uma empresa registada em Portugal mas com origem desconhecida cujo core business é aquilo a que se pode chamar data center, uma vez que armazena informação numa localização centralizada. Ou, mais concretamente, a empresa endia espaço de armazenamento físico com interface de visualização aumentada, tendo usado a expressão mais comum de data center para melhor percepção por parte dos clientes. Foi fundada em meados do século 21 e foi comprando edifícios abandonados pelo país fora, edifícios esses que foram ligeiramente melhorados e que depois eram alugados a quem assim o quisesse fazer. A particularidade desses edifícios era que, através de uma tecnologia específica ( com base num qualquer software ), permitia aos seus locatários ver na perfeição aquilo que estava neles armazenado. As vantagens eram óbvias. Para além de um controlo direto (bastava visitar o sítio para ver o que lá estava dentro) permitia ao proprietário ter acesso sentimental direto às suas coleções. Era extremamente recompensador passar anonimamente por um armazém cheio de coisas nossas e ver diretamente o que lá estava dentro. Um dia aconteceu uma inevitabilidade informática que foi serem hackeados e ficarem com o seu software à mercê dos piratas.O pirata que crackou o software, no entanto, era uma pessoa original, no sentido em que tinha uma certa sensibilidade estética que se sobrepunha ao jeito para o negócio ( vender o que hackeava à concorrência direta do hackeado). Tinha também uma filosofia visual explícita, que acreditava que a opacidade é uma ilusão capitalista e o segredo uma forma de acumulação egoísta. Resolveu fazer um assim criar um virus que fizesse com que o conteúdo dos edifícios ficasse visível para toda a gente que para ele olhasse. E que ficasse visível para sempre. Chamou-lhe vitrina e também não o comercializou. Os resultados foram bastante diversificados, mas a verdade é que muitos dos proprietários também gostaram da idéia e deixaram que os edifícios permanecessem com o seu conteúdo. No caso da foto, era um famoso colecionador extraterrestre que colecionava gigantes ultra românticos, provenientes do seu planeta. O impacto nas cidades foi grande, embora não generalizado. Muita gente preferiu esvaziar os seus edifícios para não partilhar os seus conteúdos. Os que ficaram deram origem a uma nova forma de arte, chamada grafitti.
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