14.8.26

109 - Nostalgia

 


Estes filmes são muito importantes porque permitem-me constatar a minha velha teoria de que 90% das clássicos são-no porque na altura em que os fizeram havia pouca produção e que estes se tornaram clássicos apenas porque ninguém percebia nada do que pretendiam mostrar. No que me diz respeito, não só não percebi nada como no dia seguinte já não me lembrava de uma única cena do filme. Penso ter sido este filme que foi seguido de um debate na sessão do cineclube. Teria sido genial ter ficado a ouvir, mas foi humanamente impossível aguentar mais. Hoje arrependo-me de não o ter feito, porque de certeza que foi hilariante. Ao contrário do filma.










108 - O colibri

 


Viagem através da vida de um oftalmologista italiano que vai navegando uma cronologia desordenada enquanto nos conta o que considera ter sido interessante na sua vida. Verdade seja dita que o faz muito bem, quer porque a escrita é ótima, quer porque a dose de sentimento e os seus pensamentos e ações são intensos e bons. Ficamos a saber, não propriamente por esta ordem da sua amizade com um jogador inveterado que no futuro se vai transformar num azarador profissional, na salvação in extremis quando ambos são expulsos de um avião que depois se despenha, do seu casamento com uma hospedeira búlgara (?), da história do casamento da sua mãe arquiteta esteta com o seu pai engenheiro pragmático, do seu irmão a quem manda cartas para os estados unidos, das maquetes incríveis que o seu pai fazia e da coleção de revista de ficção científica que tinha, da sua filha que tinha um fio preso nas costas que se enredava nas outras pessoas, da eutanásia que praticou primeiro ao seu pai e depois a si próprio e, talvez a parte mais plena de significado, a maneira como criou a sua neta, que apesar de ser uma mulher, foi anunciada como o homem do futuro. Chagado aqui, ia escrever que mesmo apesar de todas estas histórias bastante bem contadas, o livro não tem uma história propriamente dita, mas confesso que acabei de me aperceber da estupidez que é ter acabado de escrever isto. A história são as histórias e o que delas tiramos, que neste caso serão sempre melhores que um qualquer enredo específico sobre qualquer coisa específica. O que me baralha, porque geralmente não acredito nisto. Prefiro ter uma história a que me agarrar do que estar a espremer sensações do pedaços de histórias avulso. Mas a verdade é que neste caso penso que este foi o formato certo e que o livro resulta muito bem assim.

107 - o mago do kremlin

 


É uma entrevista imaginária entre não me lembro quem e aquele que terá sido o influencer de Putin durante os últimos 15 anos. Percorre todo o tempo desde a tomada ao poder pós Ieltsin atá à situação Ucrânia dos dias de hoje. No fundo não traz nada de intimista relativamente a Putin propriamente dito, o que poderá ser de facto uma sinal assustador de que o homem não tem íntimo humano. Fala da queda de algumas (poucas) pessoas de poder da transição pós-comunista mas nada revela sobre o que raio é que se passa no Kremlin nos dias de hoje.  A não ser o óbvio, que é que tudo o que se passa está apenas na cabeça de Putin. Se tivesse que classificar o livro avaliando por aquilo que nos é revelado sobre Putin por uma pessoa que o influenciou durante 25 anos, diria que nos é transmitido muito pouco. Que o trabalho realizado não foi lá grande coisa e que, consequentemente, o livro é mau. Acabei de me aperceber agora que já existe um filme, com o Jude Law a fazer de Putin. Pode ser que seja melhor...