Casal novo rico vive em moradia tipo de gama onde sobressai uma estátua de sardinha de pé, no meio de uma fonte, e que deita água pela boca. Há um caminho pedonal curvo que faz com que a distância entre portão e porta triplique. Há um portão automático que se abre a partir da cozinha e plantas que parecem estar coladas na parede. Há um jantar da caricaturas em que a que me chamou mais a atenção foi uma loira bonita que não falou e a que mais me irritou foi uma outra que não parava de se rir. Alguém furou um tubo o sistema de rega op que fez com que a água da fonte deixasse de jorrar pela boca da sardinha e passasse a sair pelo buraco no tubo. Uma questão de perda de carga...Entretanto lembro-me que o casal novo rico tem um filho que não fala mas que parece algo travesso, principalmente quando coloca na cabeça as penas de chefe índio, cujo nome erudito é cocar. E, finalmente, existe também um tio, que mora numas águas furtadas e anda sempre de agbardine e a fumar um cachimbo. Farta-se de interagir com a vizinhança típica do bairro e parece algo descoordenado e trapalhão. Supostamente o papel dele é humanizar o sobrinho, aliviando-o da pressão novo-riquista dos pais. Não sei se o fez e como o fez porque a verdade é que o tio não diz uma palavra o filme todo. Ou então falou apenas nos momentos em que poderei ter adormecido. O filme é visualmente agradável e venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1959 e o Prémio do Júri no Festival de Cannes. O que confirma a minha teoria que no passado a quantidade era tão menor que a qualidade se afirmava com muito menor necessidade de... qualidade.
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