Havia um fotógrafo na Hungria que acumulava várias características ao mesmo tempo.
- Era fá incondicional do instante decisivo, aquela forma de materializar em imagem aquilo que uns instantes antes ainda não existiu e uns segundos depois já aconteceu e nunca mais se repetirá.
- Era licenciado em Alquimia e especializado no chamado toque de Midas, mas ainda não tinha conseguido passar além do bronze.
- Adorava cães, que considerava serem a a única criatura sobre a terra capaz de expressar uma alegria sem sombra de dúvida.
Um dia, passeava no parque e viu uma rapariga a brincar com o cão, atirando-lhe um bola que ele apanhava e lhe entregava de volta. Esperou por aquele momento em que os músculos do cão se retorceram numa tensão graciosa, a mandíbula escancarada a milímetros de prender a bola, os olhos brilhando com a mais pura, crua e absoluta felicidade que o universo podia conter. A rapariga, ainda de braço estendido, sorria com o sobrolho franzido de expectativa e também feliz como que se estava a passar. Sem hesitar um segundo, o fotógrafo transformou-os em bronze e, tranquilamente, escolheu o melhor ângulo para imortalizar aquele momento de felicidade pura e genuína. E depois foi-se embora, porque não sabia reverter o processo...
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