Na Polónia existe um campeonato de tristeza. Durante o ano ocorrem por todo o lado shows de stand-up tragedy em que os concorrentes fazem o seu melhor para conseguir o pior, ou seja, para contarem a história mais triste que conseguirem. Podem ser histórias de vida reais ou simplesmente inventadas, e existem todo um conjunto de regras que não tenho de cor nem são o que interessa neste momento. A competição vai evoluindo em eliminatórias regionais, que passam a finais nacionais e por fim desembocam numa finalíssima. O critério é sempre o mesmo. Ganham que conseguir obter mais lágrimas do público. A forma de contabilização das lágrimas é complexa e foi concebida por um engenheiro hidráulico que, devido a esta invenção, ganhou uma reserva para o prémio Nobel da hidráulica, quando ese for finalmente e muito merecidamente instituído. Passa pela uso por parte dos espectadores de um fato própri muito parecido com os fatos destiladores dos Fremen do livro Dune. O prémio para o vencedor da competição é a impressão da sua cara em fontes colocadas nas principais cidades, que funciona initerruptamente recriando o choro que concorrente vencedor provocou. A água é a mesma que o público chorou em direto nas diversas eliminatórias e que foi cuidadosamente recolhida e repartida nos vários reservatórios que funcionam como tanque de compensação para cada uma das fontes. A água não carece de nenhum tipo de tratamento porque o sistema funciona em modo de recirculação e as perdas são mínimas. As bombas de recirculação são alimentadas através de painéis fotovoltaicos, embora confesse que não os consegui ver. Caso, por algum motivo, as perdas / evaporação ultrapassarem os 10%, o campeão em título é convocado para uma sessão extraordinária de choro de manutenção. O concurso é certificado ambientalmente.
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