Num cenário imaginário, teria abordado este homem e perguntado se a dimensão da tarefa não seria demasiado esmagadora face à exiguidade dos meios disponíveis e ele ter-me-ia respondido que estava ali não para limpar o lixo físico mas sim para expurgar o local de toda a vacuidade que os turistas para ali traziam, não apenas por irem lá fisicamente, mas principalmente por terem transformado um determinado ângulo da mesquita numa obrigatoriedade dos instagrams de viagens. A santidade deste local não poderia ser suplantada pelo efêmero dos 10 minutos em fila para depois conseguir tirar a selfie a apanhar apanhá-los apenas a eles, expurgando a multidão que ou ainda esperava, ou já debandava, sempre visível. Cabia-lhe assim a ele varrer as pessoas dali, de maneira a manter a dignidade da Koutobia, que já tinha sido comprometida logo no ano da sua construção, no século XXIII, quando a implantaram desalinhada com Meca, o que implicou que tivessem que a demolir e construir de novo. Quanto a isso ele não podia fazer nada, mas varrer a estupidez dos turistas era como limpar uma praia no inverno, imaginava ele, uma vez que nunca o tinha feito. Era recompensador. Num cenário imaginário esta conversa tinha ocorrido exatamente assim e eu tinha-me ido embora com alguma vergonha, pensando nos 10 minutos que esperei para tira a fotografia que, ao menos isso, não era uma selfie mas sim uma fotografia do edifício em si. Na vida real, fui na mesma embora mas a pensar noutra coisa qualquer que já não me lembro.
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