Em Amsterdão, a cidade onde há mais bicicletas do que pessoas e onde o fluxo de pedais parece um ecossistema próprio, era uma vez duas rodas da mesma bicicleta que, por engano, foram montadas em bicicletas diferentes. Gostavam tanto uma da outra que faziam com que as respectivas bicicletas em que estavam montadas andassem sempre atrás uma da outra, completamente à revelia do que os condutores ciclistas pretendiam, transformando o livre-arbítrio humano numa mera ilusão perante a vontade da mecânica e seu afeto. Era óbvio para toda a gente que deveriam ser apenas uma bicicleta, embora fossem de facto duas. Eram conhecidas por toda a gente como a bicicleta óbvia.
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