21.10.26

139 - A reforma de EO


EO era um burro que foi biografado cinematograficamente por um realizador polaco chamado Jerzy Skolimowski. Atuava num circo ao lado de uma rapariga chamada Kasandra, uma jovem artista que demonstrava por ele um afeto e carinho genuínos. Um dia são descobertos por ativistas dos direitos dos animais e EO foi despedido para acabar com a exploração a que estaria sujeito, sendo assim separado da única pessoa que alguma vez lhe deu amor. Começa assim uma viagem pela Europa, passando por diversas experiências,. Trabalha no apoio a crianças num centro hipoterapéutico, torna-se acidentalmente a mascote de um clube de futebol que é depois atacado pelos casuals do clube da aldeia rival, torna-se companheiro de um motorista de TIR que acaba assassinado numa estação de serviço, e acaba hóspede de uma condessa italiana e seu respetivo padre de estimação, algures em Itália, penso eu. Num desfecho tragicómico e melancólico do filme, EO é transportado num camião junto com um rebanho de vacas e é conduzido para o interior de um matadouro industrial. Tudo levava  a crer que a história ia acabar mal. Mas aqui a natureza relembrou-nos que os burros são inteligentes e que os homens são burros. EO convenceu os funcionários que era um burro de competição, vencedor de várias corridas no mercado ilegal de corridas Inter animais da Europa de leste. Os empregados do matadouro viram nisto uma oportunidade de ganhar dinheiro e levaram EO ao aeroporto, com o objetivo de voarem para a Roménia para participar nos mundiais clandestinos de velocidade equina. A partir daí foi fácil. EO despistou-os facilmente e apanhou um outro avião qualquer, fugindo assim para sítio incógnito onde poderia finalmente gozar uma reforma feliz. Encontrei-o algum tempo depois, na Ilha de Maio, em Cabo Verde, onde era o único burro da Ilha. estava bronzeado e feliz. 



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